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Apoiador do impeachment há 1 semana, senador do PMDB sugere eleições gerais para 'pacificar o Brasil' (VÍDEO)

05/04/2016 10:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) sugeriu nesta segunda-feira (4) que sejam convocadas eleições gerais no Brasil. A ideia viria por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) e, de acordo com o parlamentar, seria uma saída para “pacificar” o Brasil.

“O Brasil enfrenta uma de suas maiores crises políticas da história recente e, ao mesmo tempo, uma grave recessão econômica. O povo está revoltado e surpreso com a paralisia do governo. Considero meu dever lançar essa sugestão”, afirmou Raupp, em discurso no Senado.

A sugestão, que não é nova e já foi feita por nomes como Luciana Genro (PSol) e Marina Silva (Rede), vem de um senador que, há uma semana, tinha uma outra opinião sobre a saída do PMDB da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT) e também sobre o andamento do impeachment dela.

“O PMDB é o partido do povo, das lutas. Esse é o legado que essa reunião deixa para o Brasil”, afirmou Raupp ao HuffPost Brasil no dia 29 de março, momentos antes do início da reunião que, por aclamação, anunciou o desembarque do partido da base – o que, em termos práticos, ainda não aconteceu por completo, já que a legenda ainda tem seis ministros com Dilma.

Logo após o anúncio, em meio aos festejos dos peemedebistas presentes, Raupp foi questionado pelo HuffPost Brasil se o governo teria chance de barrar o pedido de impeachment no Senado, caso ele venha a passar na Câmara com dois terços (342) dos votos.

“Não acho que muda nada em relação ao impeachment. Não acredito que o governo tenha votos para barrar o pedido no Senado, lá a maior parte da bancada vai votar a favor do processo de impeachment”, afirmou o senador, também integrante da direção executiva do PMDB.

Na tribuna do Senado nesta segunda-feira, Raupp afirmou ter conversado há uma semana com o vice-presidente da República, Michel Temer, que é também presidente nacional do PMDB. De acordo com o parlamentar, a conversa o líder peemedebista declarou “não querer ser presidente da República em uma situação dessas”.

“Repito, ele disse: ‘Raupp, eu não quero ser presidente numa situação dessas porque, com impeachment ou sem impeachment, isso não vai acabar bem’”, comentou Raupp, pontuando que o tom das críticas a Temer subiu desde a saída do PMDB da base aliada do governo.

A ideia de Raupp e de outros senadores que não foram citados por ele é que a PEC reúna esforços dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. Isso seria necessário, primeiro por conta da falta de um expediente jurídico para a medida, e segundo porque uma PEC precisa de um apoio mínimo de 27 senadores ou 171 deputados federais para prosperar.

Durante o discurso do peemedebista, vários senadores se mostraram favoráveis à ideia. Todavia, a proposta de dar aos eleitores brasileiros a chance de renovar a Presidência da República já foi alvo de críticas. O também senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) chamou a ideia de “cortina de fumaça” e estranhou que tenha vindo de alguém como Raupp.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também demonstrou descompasso com a PEC, que seria apenas uma ‘utopia’, sem efeito prático. “Que eleição se faria agora? Só casuisticamente, a quem interessa? A intenção do senador é boa, mas isso é uma utopia: não se pode enganar a população com ideias que não vão ter nenhum resultado prático”, disse a jornalistas também nesta segunda-feira.

No Palácio do Planalto, a ideia de convocar novas eleições já foi discutida por assessores de Dilma. No mês passado, o ministro Jaques Wagner destacou que a antecipação de eleições seria um caminho "mais legítimo" para se sair de uma crise de popularidade.

Outras propostas

Anteriormente, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) já havia levado ao Congresso a proposta da realização de novas eleições presidenciais, aproveitando o pleito municipal de outubro, com a renovação da Câmara dos Deputados e de dois terços do Senado.

“Seria o ideal (...). Seja um lado ou outro que está ocupando as ruas do Brasil nesse momento, estão todos reclamando a mesma conclusão. O sistema de cumpliciamento com sistemas privados se esgotou. É necessário ocorrer um freio de arrumação. Esse freio é que realizemos novas eleições ainda este ano”, afirmou o parlamentar.

Nesta terça-feira (5), a Rede Sustentabilidade lança em Brasília (DF) a campanha 'Nem Dilma Nem Temer, Nova Eleição é a Solução'. "A solução para a atual e grave crise política do país não está nem na presidente Dilma Rousseff, nem no seu vice Michel Temer, porque ambos são responsáveis pela atual situação do Brasil. Por isso, a realização de um novo pleito é a melhor forma de enfrentar todo esse contexto, ao devolver à sociedade a opção de rever sua opção através do voto", diz o partido.

Para a REDE, a solução para a atual e grave crise política do país não está na presidente Dilma nem em seu vice Michel...

Publicado por Marina Silva em Segunda, 4 de abril de 2016


No Congresso, outro senador a apresentar uma sugestão contra a crise foi Paulo Paim (PT-RS). O petista defendeu a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para tratar exclusivamente de uma reforma do sistema político. A proposta de Paim envolveria, entre outros pontos, a admissão de candidaturas avulsas, sem a necessidade de se estar filiado a um partido.

“As manifestações dos últimos quatro anos, de julho de 2013 e as de agora, de um lado e de outro, mostram que o povo quer mudanças profundas no processo político, eleitoral e partidário para que, aí sim, nós tenhamos uma disputa eleitoral baseada em outra matriz. O povo quer saúde, educação, segurança, transporte e uma luta permanente, que o compromisso de todos nós, em defesa da democracia e contra a corrupção”, afirmou Paim.

A ideia é semelhante ao que já disse no ano passado a sua conterrânea Luciana Genro, do Psol.

(Com Reuters e Agência Senado)

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