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31/03/2016 14:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

'Estão tentando dar colorido democrático a golpe', defende Dilma

Roberto Stuckert Filho/PR

No dia que o golpe militar completa 52 anos, a presidente Dilma Rousseff disparou contra o momento que vive. Segundo ela, no passado, o poder era tomado por meio de intervenção militar.

Agora está sendo ocultação do golpe, por meio de um processo que parte da democracia. Utilizam o espaço da democracia. Se chamaram no passado de revolução o golpe, hoje estão tentando dar um colorido democrático a um golpe que não tem base legal para ser feito.”

Na opinião dela, algumas pessoas que percebem o quão grave é apoiar o impeachment e pedem que ela renuncie. “Porque sabem que é constrangedor esse processo na democracia.”

Ela acrescentou que todos os presidentes fizeram a mesma manobra da qual ela é acusada, as pedaladas fiscais.

“O meu impeachment baseado nisso (nas pedaladas fiscais) significaria que todos os governos anteriores ao meu teriam de ter sofrido impeachment porque todos eles, sem exceção, praticaram atos iguais ao que eu pratiquei. E sempre com respaldo legal."

Estelionato eleitoral

A presidente também se defendeu dos que a acusam de ter cometido estelionato eleitoral ao não admitir o tamanho da crise. Segundo ela, em 2014 não estava claro o tamanho da desaceleração, “mas sabíamos que teríamos um período difícil pela frente para enfrentar”.

Na ofensiva contra o impeachment, Dilma, indiretamente, voltou a dizer que há políticos que até hoje não aceitaram o resultados das eleições. Segundo ela, primeiro pediram recontagem dos votos, depois duvidaram das urnas, pediram auditoria, abriram processos contra ela no Tribunal Superior Eleitoral e apostaram em pautas bombas no Congresso.

Intolerância

Dilma criticou o clima tenso no País. Ela comentou o caso da médica que se recusou a atender um bebê porque a mãe é petista. A presidente vê neste tipo de ato uma comparação com o nazismo alemão, no qual as pessoas eram julgadas por símbolos.

Jéssicas

As declarações da presidente foram feitas no ‘Encontro com Artistas e Intelectuais em Defesa da Democracia’, no Palácio do Planalto. Na presença da cineasta Anna Muylaert, diretora do filme ‘Que horas ela volta?’, Dilma ressaltou o projeto de inclusão social encampado pelo PT.

“São as Jéssicas que mudariam radicalmente a questão da desigualdade, que é o acesso a educação de qualidade para milhões e milhões de brasileiros.” Para ela, o filme é inconcluso por que ainda há avanços a serem conquistados.

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