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29/03/2016 02:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Montado pelo mais fiel ministro de Dilma, PSD confirma pecha de 'traíra' e sinaliza 'desembarque simbólico' do governo

Elza Fiuza/Agência Brasil

Ao contrário do PMDB, que deve anunciar nesta terça-feira (29) o seu desembarque oficial do governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o PSD deve adotar uma agenda mais ‘simbólica’, porém não menos danosa. Nesta segunda-feira (28), o presidente em exercício do partido, Guilherme Campos (SP), liberou a bancada de 31 deputados a votar como quiserem a respeito do impeachment.

A decisão é sintomática e não contou com a participação das principais lideranças do partido, pelo menos sob os holofotes: o presidente nacional do partido, o ministro das Cidades Gilberto Kassab, está licenciado do cargo; e o líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF), está afastado do posto para se dedicar à presidência da comissão especial que analisa o pedido de impeachment na Câmara.

Kassab vem viajando o País nos últimos meses, em agendas nas quais, entre o anúncio de obras, ele vem costurando alianças em favor do PSD nos municípios. Mais do que isso: o ministro das Cidades vem trabalhando para agregar nomes à legenda, sobretudo aqueles descontentes em siglas maiores, como o PT e o PSDB.

Não por acaso, o vereador de São Paulo Andrea Matarazzo, que deixou o PSDB, poderia sair candidato à Prefeitura da capital paulista pelo partido de Kassab, que quer crescer nos municípios para almejar voos maiores para o seu partido em 2018. Já Rosso, segundo interlocutores, não perde de vista o sonho de ser governador do Distrito Federal dentro de dois anos.

A possibilidade do PSD votar majoritariamente contra o governo não chega a ser uma surpresa. Se em novembro de 2011, o primeiro mês com participação do partido e votações, a sigla votou com o governo federal em mais de 90% das pautas, no fim de 2015 a legenda era uma das mais infiéis da base aliada, só perdendo para PP, PDT e PMDB.

Com a saída oficial dos peemedebistas do governo, e a liberação da bancada do PSD (não há indicativo de que Kassab, que neste mês disse não ver motivo para impeachment, entregará a pasta), outras defecções são especuladas, como as do PP e do PR. Assim, o governo tende a oferecer mais espaço a outros aliado em troca de apoio, contando ainda com ‘migalhas’ dos desertores.

“Acho que vai ficar mais nítido, vai acabar um pouco com a esquizofrenia desses partidos que faziam um discurso de oposição, mas eram os mais ávidos por espaço e cargos dentro do governo. Não acredito que o PSD e o PR tenham mudanças de posição em relação ao governo por conta da decisão do PMDB”, declarava, horas antes, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

A oposição tem outra opinião. “Acredito que a saída do PMDB é um golpe mortal no que ainda resta do governo da presidente Dilma Rousseff. Entendo que, formalizando a saída que deve acontecer nesta terça-feira, entendemos que outros partidos devam seguir nesta direção. Vamos aguardar, enquanto isso o processo do impeachment continua caminhando e vamos cumprir as etapas”, disse o líder do DEM, Pauderley Avelino (AM).

Na votação do parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) – que tende a ser a favor do impeachment de Dilma –, a oposição terá de reunir pelo menos 342 deputados em votação em plenário. Governistas mais otimistas estimam que o Planalto possuiria hoje cerca de 200 votos, maioria suficiente para barrar o processo, mas o desgaste diário do governo pode mudar esse quadro.

Passando na Câmara, caberá ao Senado, por maioria simples, decidir se acata ou não o parecer para instaurar processo de impedimento contra a presidente. Se isso ocorrer, Dilma será afastada do cargo até o julgamento feito no Senado, presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), abrindo espaço para o País ser conduzido pelo vice, Michel Temer (PMDB).

(Com Reuters)

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