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29/03/2016 19:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Governo Dilma diz que decisão do PMDB vem em boa hora para 'repactuar' base

Lula Marques/PT

O governo da presidente Dilma Rousseff disse que recebeu com naturalidade a notícia de que o maior partido da base, o PMDB, saiu do governo, com um anúncio de três minutos. O ministro da Chefia de Gabinete da Presidência, Jaques Wagner, acrescentou ainda que a decisão chegou em boa hora.

“O governo recebe com naturalidade a decisão interna do PMDB e agradece a todo esse tempo de colaboração que tivemos ao longo desses cinco anos do governo Dilma. Creio que a decisão chega em boa hora porque oferece a presidente Dilma uma ótima oportunidade para recapturar o seu governo.”

Para o ministro, seria possível falar em novo governo, já que sai um partido e abre espaço político para uma nova repactuação. Wagner contou que o mesmo ocorreu quando ele era governador da Bahia e o PMDB deixou a base.

A promessa é que até sexta-feira o governo tenha novidades. O petista não quis dizer quais ministros do PMDB devem permanecer no governo, mas a presidente Dilma Rousseff se reúne na noite desta terça-feira (29) com os peemedebistas que comandam ministérios para decidir o que fazer.

Apesar do PMDB ter deixado o governo, Michel Temer continua vice-presidente. Wagner espera que a relação, agora, seja de educação “sempre”. “Politicamente está interditada”, emendou. O ministro disse não saber qual objetivo da rapidez da decisão do PMDB. “Não sei qual objetivo, talvez um título no Guinness Book”, brincou.

Wagner também não quis opinar sobre a decisão de Temer de permanecer no governo. “O cargo é dele, não cabe a mim julgar.” Ele ressaltou que o governo de Dilma, eleito com 53 milhões de votos, enfrenta muitas dificuldades. “Quem não vem com a mesma legitimidade terá dificuldade ainda maior”, prevê.

Golpe

Wagner explicou que o governo encara o processo de impeachment como golpe por não ter, segundo ele, embasamento jurídico sólido.

"Impeachment sem causa é golpe. Aproveitando para dizer que as contas de 2015 da presidente Dilma sequer foram apresentadas, muito menos apreciadas, menos ainda votadas e julgadas. Como, pelo que eu conheço da lei, o crime de responsabilidade tem de ser no mandato, o mandato dela começou em 1º de janeiro de 2015, então, tudo que foi apresentado até agora é anterior. Então, não sou eu. São inúmeros juristas, evidentemente que se encontrará outros, que dizem que esse é um impeachment sem causa. Por ser sem causa, é um mal uso do dispositivo constitucional, ele é um golpe. Dissimulado, mas é."

As contas de Dilma rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União se referem ao mandato anterior.

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