COMPORTAMENTO
28/03/2016 17:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Por onde andam os vencedores de ‘RuPaul's Drag Race'? Entrevistamos todos eles para saber

COURTESY OF WORLD OF WONDER

Em 1993, RuPaul ganhou fama internacional quando lançou o hit Supermodel of the World.

Quase um quarto de século depois, o ícone gay e potência do mundo do entretenimento não dá sinais de que está diminuindo o ritmo.

A oitava temporada de seu amado reality show RuPaul’s Drag Race começou a ser exibida em 7 de março nos Estados Unidos. A série não só mudou a maneira como a comunidade gay vê as drags, mas também as introduziu à cultura mainstream de maneiras nunca vista antes.

Além dessa maior visibilidade, o programa também serviu como fonte de inspiração para muita gente. A inegável popularidade do reality show ajudou vários artistas a lançar carreiras de sucesso – com a estreia da nova temporada, o programa atingiu a marca de cem participantes.

O The Huffington Post conversou com os sete vencedores das outras temporadas. Conversamos sobre as mudanças em suas vidas, carreiras e relacionamentos desde a coroação como campeãs.

Bebe Zahara Benet, primeira temporada

bebe zahara benet

Como sua relação com o drag mudou desde que você participou do programa?

A arte do drag não para de evoluir e, para manter-se relevante, atual e empolgante, você tem de se desafiar o tempo todo. Tem de usar a imaginação, ser inteligente do ponto de vista dos negócios e abraçar o espírito do aprendizado e da experiência. Tento fazer tudo isso.

Como você acha que “Drag Race” moldou e mudou a cultura drag?

O drag sempre foi parte de nossa comunidade, como a cultura pop. Acho que o programa cria oportunidades pois essa forma de arte finalmente é reconhecida na cultura pop e celebrada e considerada legítima pela comunidade. Os artistas podem criar uma marca e um negócio a partir do drag. Acima de tudo, o programa introduziu um elemento humano na arte, levando o drag para a privacidade de muitos lares.

Algum arrependimento?

O único arrependimento é que gostaria que mostrassem mais os diferentes talentos dos artistas da primeira temporada – acredite, muito não apareceu no programa. Mas, dito isso, foi uma experiência incrível.

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você hoje?

Sou apenas Bebe Zahara Benet. Sempre mudando.

Tyra Sanchez, segunda temporada

tyra sanchez

Como sua relação com o drag mudou desde que você participou do programa?

É uma relação de amor e ódio. Amo fazer drag, mas odeio as reações negativas que ouço de algumas pessoas. Já fui ofendida e atacada, mas sempre me mantive firme.

Como você acha que “Drag Race” moldou e mudou a cultura drag?

O programa permitiu que as pessoas se sentissem mais à vontade fazendo drag, mas hoje em dia quase todo mundo acha que pode ser drag queen. Só que é muito mais que comprar uma roupa. É uma arte – saber costurar, fazer cabelo e maquiagem. É um trabalho de verdade.

Algum arrependimento?

Gostaria de dizer que minha conta do Twitter foi hackeada quando noticiaram que eu disse que queria me suicidar.

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você hoje?

Sou divertida, extrovertida e exuberante, mas também pé no chão e humilde. Amo todo mundo.

Raja, terceira temporada

raja

Como sua vida mudou desde sua participação no programa?

A vida é muito mais colorida que antes. Viajo muito, faço centenas – talvez milhares – de novos amigos no mundo inteiro. Foi uma experiência iluminadora, para dizer o mínimo!

Como sua relação com o drag mudou desde que você participou do programa?

Tento trazer diversão e espiritualidade de volta para o drag. Com tantas novas queens, é minha responsabilidade trazer esse lado de volta. Drag é uma coisa muito antiga e tem uma posição de reverência em muitas culturas. Para mim, tem um significado diferente que sobrancelhas e lábios exagerados.

Como você acha que “Drag Race” moldou e mudou a cultura drag?

O programa com certeza mudou a cultura drag – ela virou uma coisa mais global. Graças à “Drag Race”, há uma percepção do que é uma drag – há modelos que as novas queens podem seguir. O programa também transformou numa indústria o que antes era apenas uma subcultura. Muita gente se beneficia disso – peruqueiros, estilistas, agentes. Nada disso existia quando comecei.

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você hoje?

Sou uma artista que está sempre diante de uma bifurcação na estrada. Cinco anos depois, me vejo de novo nesse ponto. Sempre me redescubro e me reinvento – só quero continuar sendo uma inspiração.

O novo disco de Raja, #NoKulture, será lançado em meados do ano.

Sharon Needles, quarta temporada

sheron needles

Como sua relação com o drag mudou desde que você participou do programa?

O drag era minha paixão, minha terapia, meu hobby necessário e hoje é minha vida, minha carreira e minha fonte de renda.

Como você acha que “Drag Race” moldou e mudou a cultura drag?

O programa mostrou o drag de forma positiva, mostrando o homem por trás da máscara e levando essa arte dos clubes para a sala de milhões de pessoas. Mas acho que RuPaul’s Drag Race teve um impacto negativo, porque agora qualquer um acha que pode roubar a cena.

Alguma coisa engraçada aconteceu na sua temporada e não foi ao ar?

Phi Phi O’Hara sempre esquecia de tirar o excesso de base. Eu sempre ficava esperando para ver se ela entraria na passarela parecendo um saco de farinha, mas Chad, profissional que é, sempre a lembrava a tempo.

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você hoje?

Sou um livro aberto, porra, sou um livro de colorir. Na verdade talvez quisesse que as pessoas não soubessem tanto de mim. E gostaria que minha arte continuasse a ser fonte de inspiração.

O segundo disco de Sharon Needle, “Taxidermy”, está disponível na iTunes Store.

Jinx Monsoon, quinta temporada

jinx monsoon

Como sua vida mudou desde sua participação no programa?

De certas maneiras, minha vida não mudou. Ainda mostro minha arte para as pessoas, mas a escala é muito maior, meu público está no mundo inteiro.

Você faria tudo de novo?

Com certeza. Não consigo imaginar minha vida sem o programa.

Algum arrependimento?

Nenhum. Muitos. Não posso reclamar dos resultados. A virginiana em mim sempre quer corrigir todas as imperfeições.

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você hoje?

Ainda sou uma pessoa espiritual e de cabeça aberta. Também sou um adulto crescido que às vezes joga videogame.

Bianca Del Rio, sexta temporada

bianca del rio

Como sua vida mudou desde sua participação no programa?

É incrível que tenho de arrumar um tempo para falar com gente inútil como o The Huffington Post – antes, só aparecia na imprensa quando era presa.

Você faria tudo de novo?

NÃO. É como uma vida – uma cápsula do tempo. Sou grata pela experiência e por ter parecido uma santa no programa. Vou tentar arrumar um emprego de Madre Teresa. Quero ser a Santa Bianca – menos no México, onde já vendem estatuetas minhas. E lápis.

Alguma coisa engraçada aconteceu na sua temporada e não foi ao ar?

Courtney achava que ia ganhar... #comédia

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você hoje?

Sou grata pela experiência incrível e por não ter esquecido que sou uma palhaça. É uma oportunidade única na vida. Sou uma artista de circo com sorte.

O especial de humor Rolodex of Hate está disponível no Vimeo.

Violet Chachki, sétima temporada

violet chachki

Como sua vida mudou desde sua participação no programa?

Tive oportunidades incríveis de trabalhar com pessoas que respeitava e admirava havia muito tempo. Fui validada por algumas das pessoas mais criativas do mundo. É incrível, parece que sou parte de algo maior que eu. Amo meu trabalho. Olho à minha voltou e acho que estou no lugar certo.

E sou muito grata por essa parte da minha vida, pela chance de mergulhar em algo que amo. Mas é exatamente isso – só parte da minha vida. Você é famosa o suficiente para ser meio incômodo. Namorar. Me relacionar com pessoas da minha idade. Também tem a conversa sobre gêneros, que acontece regularmente.

Como sua relação com o drag mudou desde que você participou do programa?

O drag passou de uma forma de expressão criativa e de gênero, a um hobby, a um estilo e de vida e, agora, a uma carreira. Comecei a fazer drag porque não via nenhuma drag queen que me surpreendesse. Estou tentando ser essa queen, mas agora na escala que sempre quis.

Como você acha que “Drag Race” moldou e mudou a cultura drag?

O programa fez coisas incríveis para a cultura drag e ajudou muita gente. Os prós de ter representação LGBT na TV são óbvios! Dito isso, parece que todos os dias tem uma nova drag queen procurando um palco. Te faz pensar sobre as intenções e os prazos de validade.

O programa continua tornando o mundo drag ainda mais competitivo do que era. Comparações constantes podem ser tóxicas para qualquer artista. Pessoas que nunca fizeram seu trabalho agora querem te dizer o que você está fazendo errado porque têm uma TV. Todo mundo tem opinião sobre o que é e o que não é uma drag.

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você hoje?

Aprendi muito neste último ano. Estou um pouco mais concentrada e também dou menos importância para algumas coisas.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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