POLÍTICA
24/03/2016 18:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

À imprensa internacional, Dilma rebate: 'Por que querem minha renúncia? Por que sou uma mulher fraca? Não sou.'

ASSOCIATED PRESS
Brazil's President Dilma Rousseff speaks during a press conference at the Planalto Presidential palace, in Brasilia, Brazil, Wednesday, March 16, 2016. Rousseff has named former President Luiz Inacio Lula da Silva as her new chief of staff, in a move that could help Silva avoid possible detention in connection to the sprawling Brazilian oil giant Petrobras corruption probe. (AP Photo/Eraldo Peres)

A véspera de feriado foi agitada no Planalto.

Na manhã desta quinta-feira (24), a presidente Dilma Roussef recebeu 6 jornalistas representantes dos veículos internacionais Le Monde, The New York Times, Pagina 12, El País, The Guardian e Die Zeit.

As declarações aos jornalistas reforçam o posicionamento da presidente, que garante que não vai renunciar e que o impeachment, como está sendo conduzido, é uma tentativa de golpe.

Ao britânico Guardian, Dilma se posicionou:

"Por que eles querem que eu renuncie? Porque eu sou uma mulher fraca? Eu não sou", disse ela, argumentando que seus opositores políticos queriam que ela se retirasse "para evitar a dificuldade de impedimento - que é indevida, ilegal e criminal- de um presidente legitimamente eleito exercer o governo".

Questionada sobre a nomeação de Lula como Ministro da Casa Civil, ela se defendeu:

"Eu me tornei sua chefe de gabinete, em 2005, no meio do mensalão. Eu sei quanto eu o ajudei, então, eu sei que ele pode me ajudar agora. Lula não é apenas um negociador talentoso, ele também compreende todos os problemas do Brasil."

Diante das indagações sobre o foro privilegiado, ela deu resposta assertiva e questionou:

"Um ministro do gabinete não está imune a investigação, ele enfrenta investigação por parte do STF. O STF não é bom o suficiente para investigar Lula?"

Sobre o processo de impeachment, Dilma respondeu aos jornalistas que qualquer tentativa de tirá-la do poder sem base legal pode ser considerado um golpe.

"Eu não estou comparando o golpe daqui com os golpes militares do passado, mas que esta tentativa seria uma quebra da ordem democrática do Brasil. Um atitude como essa vai ter consequências. Talvez não imediatamente, mas vai deixar uma cicatriz profunda na vida política dos brasileiros."

A petista afirmou, de acordo com o americano The New York Times, que vai apelar de todas as maneiras legais para barrar o impeachment.

Dilma disse que Eduardo Cunha colocou o processo de impeachment em movimento como uma forma de desviar a atenção de seus próprios problemas legais sobre acusações de suborno e lavagem de dinheiro.

"Vamos apelar com todos os métodos legais disponíveis."

A entrevista durou mais de uma hora e a presidente estava calma. De acordo com o jornal britânico, ela comentou que estava dormindo bem.

"Eu acho que você só fica deprimido quando você se sente culpado por alguma coisa. Eu nunca usei meus poderes para favorecer as pessoas que eu não deveria ter favorecido."

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