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23/03/2016 10:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Odebrecht decide fazer 'colaboração definitiva' com a Operação Lava Jato

Cicero Rodrigues/ World Economic Forum/15/04/2009

A Odebrecht, maior empreiteira do País e um dos principais alvos da Operação Lava Jato, anunciou na noite desta terça-feira (22) que decidiu fazer "uma colaboração definitiva" com as investigações sobre um esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras, partidos políticos e grandes empreiteiras.

"As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato", afirmou a empresa em nota, no mesmo dia em que foi alvo principal de mais uma fase da operação.

A decisão da Odebrecht de colaborar com os procuradores da Lava Jato deve trazer mais revelações, já que a empresa é uma importante doadora para campanhas eleitorais, ajudando a financiar a campanha de políticos de vários partidos, além de ter uma série de contratos com o poder público.

"A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União", acrescenta a nota.

O ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, é um dos condenados pela operação Lava Jato e está preso desde meados do ano passado em Curitiba, onde o juiz federal Sérgio Moro concentra os processos ligados à operação.

O advogado Nabor Bulhões, que representa Marcelo Odebrecht e do grupo Odebrecht, disse à Reuters por telefone que o acordo de colaboração da empresa com o Ministério Público inclui uma "cláusula de abrangência de seus funcionários e executivos que queiram e que tenham com que colaborar com as investigações". Ele afirmou que fazer acordos de delação premiada será uma decisão pessoal dos funcionários e executivos da companhia, entre eles Marcelo Odebrecht.

A Polícia Federal lançou nesta terça-feira a 26ª fase da operação, na qual a Odebrecht é acusada de realizar pagamento sistemático de propinas por meio de um setor especializado para obter contratos em várias áreas de atuação da empresa, além do esquema envolvendo a Petrobras.

As investigações apontaram que havia dentro da Odebrecht uma área profissionalmente organizada para pagamentos ilegais, chamada “setor de operações estruturadas", que incluía o pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos, além da propina milionária paga pela empreiteira por contratos com a estatal de petróleo que é o foco principal da Lava Jato.

O esquema foi utilizado pelo menos até o segundo semestre de 2015, segundo as investigações, que apontaram que Marcelo Odebrecht não apenas tinha conhecimento dos pagamentos ilícitos em outras áreas, como também comandava diretamente o esquema.

Financiamento político

Na nota, a Odebrecht se exime de "responsabilidade dominante" pelos fatos apurados na Lava Jato e diz haver um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento de campanhas e partidos.

"Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato - que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país - seguimos acreditando no Brasil", disse a empreiteira na nota.

Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa em uma ação penal da Lava Jato.

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