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21/03/2016 16:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Em discurso com Obama, Raul Castro pede que EUA derrube embargo e devolva Guantanamo

ASSOCIATED PRESS
U.S. President Barack Obama, left, speaks next to Cuba's President Raul Castro, during a joint statement in Havana, Cuba, Monday, March 21, 2016. President Raul Castro called on President Obama to lift longstanding U.S. restrictions on Cuba, even as he and Obama pledged to move forward with normalizing relations between Cuba and its longtime Cold War-era foe. (AP Photo/Ramon Espinosa)

O presidente de Cuba, Raul Castro, e o mandatário dos EUA, Barack Obama, protagonizaram (mais) um momento histórico nesta segunda-feira (21), quando fizeram um pronunciamento conjunto durante a visita de Obama ao país.

Em seu pronunciamento, Castro sublinhou os avanços no relacionamento entre as duas nações desde dezembro de 2014, mas foi categórico: "A eliminação do embargo é essencial para normalizar as relações bilaterais", afirmou.

De acordo com o presidente de Cuba, o bloqueio - que só pode ser removido com o aval do Congresso americano, de maioria republicana - é um obstáculo para o desenvolvimento econômico e para o bem estar do povo cubano.

"As últimas medidas de Obama são positivas, mas não suficientes", afirmou Castro, que pediu ainda que os EUA devolvam o território "ilegalmente ocupado" da bacia de Guantanamo.

Já Obama preferiu não entrar no assunto, e manteve seu discurso mais centrado nos avanços obtidos na relação entre os dois países. Nesta segunda (21), de acordo com os mandatários, será assinado um acordo de cooperação agrícola entre EUA e Cuba.

Já foram restabelecidos o correio postal direto, e está em curso um acordo que vai permitir voos regulares entre os dois países, distantes menos de 200 km. Também está em negociação um acordo na área da saúde.

"Estamos negociando um outro conjunto de instrumentos bilaterais para cooperação em esferas como o enfrentamento no trafico de drogas e para aprofundar a colaboração na prevenção e no tratamento de doenças transmissíveis como a Zika e também doenças crônicas, como o câncer", explicou Castro.

A discordância sobe assuntos como democracia e direitos humanos foi pontuada pelos dois mandatários como outra grande questão que impede que os dois países se aproximem ainda mais.

"Temos diferenças muito sérias, incluindo na área de democracia e direitos humanos. Os Estados Unidos reconhecem os progressos feitos por Cuba como nação, e sua soberania. O destino de Cuba será decidido pelos cubanos. Ao mesmo tempo, deixei claro que vamos seguir falando sobre democracia, direitos humanos e liberdade de expressão", afirmou Obama, que disse que também coloca o assunto em pauta com aliados muito próximos.

"Não dá para politizar o tema dos direitos humanos, isso não é correto", falou Castro, que afirmou que nenhum país do mundo cumpre 100% dos direitos humanos - inclusive a ilha. O líder, então, enalteceu o direito à saúde, à educação gratuita e a equiparação salarial entre homens e mulheres. "Vamos trabalhar para que todos possamos cumprir todos os direitos humanos".

Apesar do tom firme do discurso, Castro reconheceu a importância da convivência harmoniosa entre Cuba e EUA. "Devemos colocar em prática a arte da convivência civilizada. Aceitar e respeitar as diferenças, e não fazer das diferenças o centro das nossas relações. Em vez disso devemos promover vínculos que beneficiem os países e os povos, e nos concentrar naquilo que nos aproxima, não naquilo que nos separa."

Trump ou Hillary?

Durante as perguntas, um jornalista perguntou a Castro quem é seu pré-candidato favorito para a Presidência dos EUA: Donald Trump ou Hillary Clinton .

O republicano, aliás, não perdeu a oportunidade de alfinetar Obama no domingo (20), dia de sua chegada ao país. No Twitter, o pré-candidato criticou o fato de que Castro não foi recepcionar o mandatário no aeroporto, e classificou a atitude como desrespeitosa.

Castro, no entanto, saiu pela tangente: "Não posso opinar. Não voto nos EUA".