POLÍTICA

Gilmar Mendes compara nomeação de Lula como ministro a de um empreiteiro preso pela Lava Jato

16/03/2016 20:27 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
Supreme Court Judge Gilmar Mendes attends an ordinary session of the Supreme Court in Brasilia, Brazil, Thursday, Aug. 13, 2015. The Supreme Court is debating on the decriminalization of drug possession for personal use. (AP Photo/Eraldo Peres)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a nomeação do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil.

Durante o julgamento do recurso da Câmara à decisão do rito de impeachment, Gilmar Mendes ressaltou que a atitude deixa "muito mal" a Suprema Corte, de acordo com o G1.

O ministro também afirmou que a presidente Dilma Rousseff teve de colocar um "tutor" na Presidência para tentar superar a crise pela qual passa o país.

“Agora, temos ainda essa medida, a nomeação do ex-presidente da República para o cargo de chefe da Casa Civil, que vem na condição de ser o supertutor da presidente da República. E vem para fugir da investigação que se faz em Curitiba, deixando esse tribunal muito mal”, declarou o ministro do STF.

Em entrevista coletiva, ele comparou a nomeação de Lula à indicação de um empreiteiro preso para um ministério.

“Vamos analisar. É um assunto digno de preocupação para o tribunal. Imagine os senhores que daqui a pouco a presidente da República decida nomear um desses empreiteiros que está preso lá em Curitiba como ministro dos Transportes ou da Infraestrutura. Nós passamos a ter uma interferência muito grave no processo criminal”.

Mendes, ainda, relembrou que há jurisprudência em caso de o foro privilegiado ser considerado inválido, mas que o caso de Lula deve passar por interpretação do STF.

“Nós já temos jurisprudência de que as renúncias de parlamentares para fugir ao foro seriam consideradas inválidas. Temos que fazer essa avaliação também aqui.”

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