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15/03/2016 15:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Delcídio diz que recebeu promessa de Mercadante para ficar calado

ASSOCIATED PRESS
FILE - This Feb. 26, 2014, file photo, released by the Agencia Senado, shows Brazilian Sen. Delcidio do Amaral of the ruling Worker's Party. Brazil's Supreme Court has released Amaral from prison, Friday, Feb. 19, 2016, after he was held almost three months behind bars. Amaral is accused of obstructing the investigation into a corruption scandal at state-owned oil company Petrobras. (Pedro Franca/Agencia Senado via AP, File)

Em acordo de delação premiada, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou que o ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff e atual ministro da Educação Aloizio Mercadante prometeu dinheiro e ajuda para que Delcídio não procurasse o Ministério Público Federal (MPF) e colaborasse com as investigações da Operação Lava Jato.

No depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR) homologado nesta terça-feira, 15, no Supremo Tribunal Federal (STF), Delcídio afirma que, durante o período em que esteve preso preventivamente por causa da Operação Lava Jato, seu assessor, Eduardo Marzagão, foi procurado em três ocasiões no mês de dezembro do ano passado por uma a assessora de Mercadante conhecida como Cacá e pelo próprio ministro.

Leia a íntegra da delação

Mazagão gravou as conversas que teve com o ministro, que passou um recado para Delcídio "ter calma e avaliar muito bem a conduta a tomar, diante da complexidade do momento política". O ministro da Educação teria prometido que a situação de Delcídio se resolveria e que o pagamento de honorários com advogados "poderia ser solucionado". O parlamentar disse aos investigadores que o recado era de que o PT bancaria sua defesa.

Delcídio também afirmou que acredita que o ministro agia como emissário da presidente Dilma Rousseff. Segundo o ex-líder do governo no Senado, Mercadante é um dos poucos que possui a confiança da presidente, e que teria dito que "se ela tiver que descer a rampa do Planalto sozinha, eu descerei ao lado dela".

Em outra conversa de Marzagão com Cacá, a assessora de Mercadante, ela teria dito que a promessa feita pelo ministro a Delcídio não tinha sido esquecida. E que Mercadante procuraria o presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) para que eles tomassem partido a favor da soltura de Delcídio.

O senador também afirmou que Mercadante iria "abrir a porteira" se Delcídio contasse ao MPF o que sabia. Mas que, apesar disso, salientava que o deixaria a vontade para decidir o que achasse melhor. Para Delcídio, essa posição reforçava a intenção de Mercadante para que o senador permanecesse calado.

O ex-líder do governo firmou o acordo com a PGR para colaborar com as investigações e fez acusações contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Delcídio deixou a prisão em 19 de fevereiro, após ter ficado quase três meses na cadeia acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

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