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Com perfil de alta renda, manifestantes defendem o fim do Bolsa Família e das cotas no Brasil (VÍDEO)

14/03/2016 09:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Manifestantes que foram às ruas neste domingo (13/3) defendem o fim do Bolsa Família e o fim das cotas. "Os pobres ficam só bebendo pinga e pondo filho no mundo. Ninguém quer trabalhar." Segundo o Banco Mundial, entre 2001 e 2013, o percentual da população vivendo em extrema pobreza caiu de 10% para 4%”. Desde 2002, 36 milhões de brasileiros saíram da situação de extrema pobreza.

Publicado por Jornalistas Livres em Domingo, 13 de março de 2016

A Avenida Paulista, em São Paulo, recebeu cerca de 500 mil manifestantes neste domingo (13), em um evento histórico que pediu a saída da presidente Dilma Rousseff e demonstrou indignação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o partido de ambos, o PT.

Segundo dados divulgados pelo Datafolha nesta segunda-feira (14), o perfil do protesto deste domingo não diferiu em relação aos atos pró-impeachment do ano passado. A maioria dos manifestantes eram homens com mais de 36 anos – 12% deles empresários –, e 77% dos presentes declararam ter ensino superior.

No quesito renda, 50% dos manifestantes ganham na faixa entre 5 e 20 salários mínimos (apenas 6% declararam ganhar até dois salários mínimos). No total, 98% considera o governo Dilma “ruim ou péssimo” e 79% destacou que a presidente será sim afastada do cargo.

Outros aspectos relativos ao perfil dos presentes foi a repulsa aos programas afirmativos do governo federal, como o Bolsa Família e a política de cotas em universidades e no serviço público. Foi o que constatou um vídeo produzido pela rede Jornalistas Livres.

Para um grupo de mulheres, a desigualdade no Brasil “aumentou visivelmente” durante os governos do PT, embora dados oficiais digam o contrário, sobretudo no período de Lula (2003-2010), porém o maior ponto de discórdia e de declarações duras é dirigido aos programas assistenciais.

“O Bolsa Família não dá futuro pra ninguém. Essa roubalheira... Bolsa Família não dá futuro pra ninguém”, disse um manifestante. “Acho ridículo, assim como as cotas que favorecem muita gente. Seria mais fácil eu ter 10 filhos e ‘viver de boa’, ganhar alguma coisinha. Então eu não concordo”, emendou outra presente ao ato na Paulista.

“Há 13 anos que eles dão dinheiro pra quem não trabalha. Eles não querem trabalhar, ‘tão’ fazendo filho, bastante, porque cada filho ganha mais dinheiro. Eles ficam lá, sem trabalhar, bebendo pinga e fazendo filho e vivendo às custas do governo”.

“Acho uma vergonha, porque se eu quiser dinheiro eu trabalho muito. Eu já tive ajudante na minha casa que deixou de trabalhar pra ter três filhos”.

“E não viver de esmola, porque o Bolsa Família você não pode considerar um salário”.

“É uma forma de fidelizar um eleitor e não é a forma correta. Assistencialismo, não dá. Todo país comunista no mundo vive assim”.

As declarações são semelhantes ao que apurou o jornal Folha de S. Paulo. À publicação, dois entrevistados afirmaram que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) “parece bom” para tirar o País da crise, enquanto outros dois manifestantes demonstraram estima pelos tucanos Geraldo Alckmin (PSDB), governador paulista, e o senador José Serra (SP).

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