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14/03/2016 13:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Lula chamou tríplex de 'Minha Casa, Minha Vida' e disse que investigação era 'sacanagem homérica

REUTERS/Paulo Whitaker

Em depoimento à Polícia Federal durante a 24ª fase daOperação Lava Jato, no dia 4 de março, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvaafirmou que não quis ficar com o apartamento no edifício Solaris, no Guarujá, por ser muito pequeno, "um tríplex Minha Casa, Minha Vida", afirmou.

Lula afirmou ter visitado o apartamento uma vez, com sua mulher Marisa Letícia e o ex-presidente e sócio da OAS Léo Pinheiro.

"Quando eu fui a primeira vez, eu disse ao Léo que o prédio era inadequado porque além de ser pequeno, um triplex de 215 metros é um triplex 'Minha Casa, Minha Vida', era pequeno"

Leia aqui o depoimento na íntegra

Segundo o ex-presidente, o local era inadequado “para um velho como eu”, tinha escadas e os quartos eram pequenos.

"O Léo falou “Eu vou tentar pensar um projeto pra cá.” Quando a Marisa voltou lá não tinha sido feito nada ainda. Aí eu falei pra Marisa: “Olhe, vou tomar a decisão de não fazer, eu não quero” Uma das razões é porque eu cheguei à conclusão que seria inútil pra mim um apartamento na praia, eu só poderia frequentar a praia dia de finados, se tivesse chovendo. Então eu tomei a decisão de não ficar com o apartamento.”

"Sacanagem homérica"

Ele disse estar participando participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil. "Porque tenho um apartamento que não é meu, eu não paguei, estou querendo receber o dinheiro que eu paguei, um procurador disse que é meu, a revista Veja diz que é meu, a Folha diz que é meu, a Polícia Federal inventa a história do triplex que foi uma sacanagem homérica."

Sobre o sítio de Atibaia, o ex-presidente disse que não queria falar porque não iria falar do que não é dele. "Quando vocês entrevistarem os donos do sítio eles falarão pelo sítio”, emendou.

Lula, porém, disse que frequenta o local menos do que gostaria e que guarda algumas coisas da época que deixou de ser presidente lá e outras no sindicato dos metalúrgicos em São Paulo.

"Tem coisa de valor que deve estar guardada em banco, tem coisa... Eu já tomei uma decisão, terminada essa porra desse processo, eu vou entregar isso para o Ministério Público, vou levar lá e vou falar 'Janot, está aqui, olha, isso aqui te incomodou? Um picareta de Manaus entrou com um processo pra você investigar as coisas que eu ganhei, então você toma conta'."

Em alguns momentos do depoimento, o ex-presidente se mostrou nitidamente irritado com o interrogatório. Chegou a dizer que se sentia constrangido com algumas perguntas, perguntou se o delegado tinha dormido pouco e enfatizou várias vezes que as histórias eram mentiras ou inventadas.

"O senhor deveria estar entrevistando o Ministério Público, trazer o Conserino aqui e fazer pergunta para ele, para ele dizer que é meu, para ele dizer que o apartamento é meu, para ele dizer que eu paguei o apartamento, ele que tem que dizer, não eu. Delegado da Polícia Federal:­ O que interessa para nós... Declarante:­ Que o cidadão conta uma mentira e eu sou obrigado a ficar respondendo a mentira dele."

Finge que contrata e finge que paga

O ex-presidente também criticou a maneira como os contratos eram firmados no País:

"Uma das coisas que fomentou a corrupção no Brasil ao longo do tempo é que o Ministério Público, o poder público fingia que contratava obra, fingia que pagava, a empresa fingia que fazia, ficava tudo como antes. Antes de eu chegar à presidência, o servidor público fingia que trabalhava, o governo fingia que pagava, o Brasil se fodia, então, desculpe a palavra horrível, então nós resolvemos moralizar tudo isso, eu adotei como política o seguinte, é o seguinte, primeiro pagar em dia, eu só tenho credibilidade com as pessoas se eu pagar em dia, se eu fingir que pago e a pessoa finge que recebe alguém vai enganar alguém, então eu optei pela seriedade e isso vale para o instituto."

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