NOTÍCIAS
08/03/2016 15:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Mulheres narram os desafios do trabalho humanitário (VÍDEO)

CICV

"O avião chegou com o material de cirurgia, e tinha tanta necessidade desse avião chegar... eu estava mais feliz do que no dia do meu casamento, aquele dia".

A cena acima é narrada por Marie Claire Feghali, que passou dois meses trabalhando no Iêmen. Brasileira, ela trabalha para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e já passou por países como Tunísia, Iraque, Líbia, Suíça, Afeganistão, Filipinas e Iêmen.

Segundo o CICV, as mulheres enfrentam problemas específicos em conflitos armados, como a violência sexual e os riscos à saúde. Em algumas culturas, não é permitido que as mulheres trabalhem, o que torna a vida de viúvas, por exemplo, ainda mais complicada e perigosa.

"Imagine a situação de mulheres grávidas, as que estão amamentando, as que cuidam de crianças que têm problemas de saúde. Como acudir aos serviços de saúde? Além disso, muitas vezes elas são o único ganha-pão que ficou no lar, porque o marido foi preso, foi morto ou uniu-se a algum dos grupos combatentes", explica Graziella Leite Piccoli, que atua no CICV há mais de 20 anos.

Se, por um lado, ser mulher pode tornar o trabalho humanitário mais difícil - "já me senti meio 'a última da fila'", conta Graziella - a presença feminina em contextos de emergência humanitária é indispensável.

"Por exemplo, é o caso de alguns trabalhos que fazemos na área de educação em higiene, ensinando as mulheres os cuidados básicos, indo às suas casas e sentando-nos à mesa com elas; isso não seria permitido aos colegas homens. O mesmo ocorre nos trabalhos em salas de parto em alguns contextos onde são as enfermeiras e médicas mulheres que atuam."

Foi o caso de Sitara Jabeen. Paquistanesa, ela entrou na organização em 2005, após um terremoto devastador atingiu seu país. Quando começou a trabalhar na área, ela não contou à sua família, com medo de que seus familiares a impedissem, por causa do perigo.

Para entregar a ajuda humanitária a mulheres e crianças - que em regiões remotas e tribais do Paquistão, não poderiam ter contato com trabalhadores homens - ela chegou a enfrentar homens aramados.

"Eu também me senti assustada, mas pensei que o risco valia. Se tenho que morrer, melhor que seja tentando ajudar alguém do que em um acidente de carro."