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08/03/2016 16:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Após ser citado por Delcídio, Francischini teria indicado nomes a Richa em esquema corrupto na Receita do Paraná

Arnaldo Alves/ ANPr / 09/12/2013

O deputado federal Fernando Francischini (SD-PR) teria usado a sua influência junto ao governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), para indicar nomes de sua confiança para cargos na Receita Estadual. É o que relatou Luiz Antônio de Souza, o principal delator da Operação Publicano, que investiga um amplo esquema de corrupção na Receita Estadual.

Em depoimento nesta segunda-feira (7), Souza implicou ainda o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) pela mesma conduta. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, o advogado do delator, Eduardo Duarte Ferreira, explicou que o cenário na Receita paranaense era de “apadrinhamento político efetivo”.

“Haviam disputas para nomes de delegados locais, inclusive por parte do deputado Hauly e do deputado Francischini, que indicavam nomes diretamente ao senhor governador para que (os indicados) assumissem a delegacia local”, disse o defensor.

Apontado como chefe do esquema, o auditor Márcio de Albuquerque Lima era companheiro de Richa em provas de automobilismo, e teria conseguido o cargo na Receita por influência de Luiz Abi Antoun, primo do governador. Outro ponto relatado anteriormente por Souza aponta que recursos desviados da Receita teriam sido repassados à campanha de reeleição de Richa.

Ao jornal, o advogado de Francischini, Gustavo Kfouri, negou qualquer relação com nomeações para a Receita Estadual e afirmou que processará o delator. Já Hauly informou que as suas indicações tiveram “natureza técnica e política”.

O deputado do Solidariedade integrou o governo paranaense até maio do ano passado, quando foi demitido por Richa. A sua saída do governo paranaense se deu em razão do massacre dos professores da rede estadual, em 29 de abril, em uma operação violenta que estava sob o comando de Francischini.

Integrante da Bancada da Bala na Câmara, o deputado é hoje pré-candidato à Prefeitura de Curitiba. Na semana passada, o nome dele foi mencionado por uma reportagem da revista IstoÉ, que trouxe o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Nela, Francischini é citado como um dos parlamentares que cobraria propina para não convocar empreiteiros para a CPI da Petrobras. Ele negou as alegações.

‘De 80% a 90% são corruptos’

Em outro trecho do seu depoimento de segunda-feira, Souza disse que “80% a 90% da Receita Estadual é corrupta”. Os demais auditores que não integram o esquema teriam pelo menos conhecimento de que ele existe. O tamanho da propina era tal que o salário mensal do delator, de R$ 19 mil, alcançava até R$ 300 mil “em um mês bom”.

Preso desde 2015, após ser flagrado com uma adolescente em um motel, Souza diz estar sendo alvo de ameaças de morte.

De sua parte, o governo do Paraná afirma que foi ele quem pediu a investigação da Receita Estadual, punindo servidores envolvidos no escândalo e aplicando multas às empresas com participação comprovada no esquema de propina.

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