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04/03/2016 11:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Treino de luta greco-romana ajuda adolescente sírio a viver em campo de refugiados

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Bassam, um adolescente de 14 anos que vive na Jordânia, sonha em se tornar um lutador. Mas ele tem mais obstáculos em seu caminho que a maioria dos outros meninos da sua idade, pois Bassam está morando no campo Za'atari, que abriga 80 000 refugiados que fugiram da Síria.

“A vida era boa, mas, de repente, ficou perigosa”, lembra ele. “Quando aconteciam bombardeios, a gente se escondia no porão.”

“Meu pai nos trancava lá por segurança. Tinha mais medo pelo meu irmão mais novo, eu o carregava para o abrigo o tempo todo.”

“Quando as bombas explodiam, todo mundo ficava com medo. Não conseguíamos dormir à noite; se o fizéssemos teríamos pesadelos."

bassan

Bassam está em Za’atari há quatro anos

A mãe do adolescente foi morta na Síria, e Bassam, que tinha 11 anos na época, viu a mão de um primo ser arrancada durante um ataque. Ele se tornou um menino retraído e rebelde, e sua irmã ficou tão traumatizada que simplesmente parou de andar.

“A viagem para a Jordânia foi horrível, as ruas estavam cheias de sangue, e as pessoas estavam feridas. Nosso carro foi atacado a tiros.”

“Meu pai achava que ficaríamos só alguns meses, mas já estamos aqui faz quatro anos. Ele pensa em voltar, mas quando ouvimos as explosões na Síria aqui do acampamento ele muda de ideia.”

Agora, Bassam está “completamente irreconhecível”, diz seu pai, que administra um pequeno restaurante para outros refugiados do campo.

“Quando a mãe morreu e tivemos de fugir da Síria, Bassam estava retraído e se metia em confusão", disse Khaled Ali. “Ele não queria ir para a escola. Era uma pessoa completamente diferente.”

Com a ajuda de financiamento do UNICEF, o adolescente está sendo treinado por outro refugiado sírio — um ex-campeão árabe de luta greco-romana que deteve o título por 12 anos.

Mohammed Al Karad, de Dara’a, uma cidade no sudoeste da Síria, era o treinador da equipe nacional do país, e ganhou destaque por suas habilidades na luta greco-romana.

Al Karad agora treina os meninos num espaço do campo financiado pelo Reino Unido e pelo UNICEF. Os refugiados também recebem apoio psicossocial e têm lugares seguros e de lazer para lidar com problemas comportamentais.

bassan treinando

Bassam treina com o campeão de luta Mohammed Al Karad

“Queria servir minha comunidade e ajudar os jovens a se adaptar a essa vida difícil”, disse o ex-campeão. “Vim como refugiado. Moro numa barraca. Sei como é difícil.”

Mais de 700 mil do estimado 1,4 milhão de crianças refugiadas sírias que vivem em países vizinhos não estão recebendo qualquer educação. Muitas sofrem com impacto físicos e psicológicos de longo prazo da crise.

Al Karad está determinado a ser um exemplo de que os rapazes sírios precisam.

“Eles vêm de um dos conflitos mais brutais da nossa geração”, explica ele. “Se uma criança testemunhou a violência, tenho de liberar essa violência ou energia negativa por meio do treinamento.”

O treino combina habilidade técnica com força física, e no final da sessão eles se sentam para conversar. Al Karad também os incentiva a participar das aulas informais oferecidas no campo.

“Na luta, em primeiro lugar vem a ética”, diz Al Karad. “Os valores do esporte são não machucar ninguém, mesmo que você tenha a oportunidade.”

Mais de 40 000 vivem no acampamento, e Al Karad é uma estrela para muitos dos jovens.

“Amo a luta, e acima de tudo amo o técnico Mohammed”, diz Bassam. “Ele sabe quando temos um problema e nos ajuda a lidar com ele.”

Apesar de Bassam ainda não conseguir falar sobre a mãe, ele tem grandes esperanças para o futuro: “Quero me tornar um campeão de luta, mas também quero ir para a escola. O técnico Mohammed me ensinou isso.”

  • Bassam, que tem 14 anos
    Unicef/Simon Rawles
  • Mohammed, no centro, com dois de seus alunos
    Unicef/Simon Rawles
  • Unicef/Simon Rawles
  • Unicef/Simon Rawles
  • Unicef/Simon Rawles

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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