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04/03/2016 12:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Lava Jato: Investigadores veem indícios de favorecimento de Lula por empreiteiras

Instituto Lula

A origem de um montante total de R$ 30 milhões é a principal dúvida dos investigadores da 24ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Aletheia (“em busca da verdade” em grego), e que tem como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (4), em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima detalhou que existem “evidências” de benefícios concedidos a Lula e seus familiares.

“Fica claro que o benefício político recebido foi basicamente do ex-presidente Lula e atualmente da atual presidente (Dilma Rousseff)”, disse o procurador, esclarecendo ainda que hoje não há indícios de benefício financeiro ou qualquer investigação em andamento contra a petista, pelo menos no âmbito das investigações da Justiça Federal em Curitiba.

O auditor da Receita Federal Roberto Leonel de Oliveira revelou que a investigação quer traçar a rota de recursos repassados à empresa LILS Palestras, utilizada pelo ex-presidente para prestar palestras pelo Brasil e em outros países, e o Instituto Lula. “Há uma confusão operacional entre as duas entidades, uma com receitas tributadas e outra com receitas isentas”, disse.

Os dados apurados até o momento mostram que as cinco maiores empresas – algumas delas sendo empreiteiras investigadas pela Lava Jato – que pagaram palestras à empresa de Lula (um total de R$ 10 milhões) são as mesmas que doaram os maiores valores (total de R$ 20 milhões) ao Instituto Lula entre os anos de 2011 e 2014. As buscas no Instituto e nos imóveis do petista buscam por documentos justamente para identificar a origem desses recursos.

Outros indícios sobre vantagens financeiras que Lula e seus familiares teriam recebido também levaram os investigadores a cumprirem mandados de busca no sítio de Atibaia (SP) – que oficialmente pertence a amigos do ex-presidente, mas que recebeu obras pagas e executadas pela construtora Odebrecht – e ao tríplex do Guarujá (SP) – o qual a empreiteira OAS teria adquirido e reformado, segundo os investigadores, para o petista.

“Há indícios fortes (...). Nesse momento, as investigações não são conclusivas ao ponto de pedir a prisão (de Lula)”, complementou o procurador, que ressaltou que o próprio fato da Odebrecht ter pago pela reforma em Atibaia (SP) com dinheiro vivo mostra que a intenção era evitar o rastreamento.

“Não podemos ignorar que haja o pagamento de R$ 40 mil pela opção de compra de um apartamento, no qual foram gastos R$ 700 mil em obras, e que isso simplesmente não seja considerada vantagem”, afirmou, sem fazer maiores acusações. “Tudo isso ainda está em fase de investigação”.

Investigação quer saber se Lula liderava esquema

Questionado por jornalistas, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima destacou que uma outra dúvida dos investigadores diz respeito ao papel de Lula dentro do organograma do esquema de corrupção que se instalou na Petrobras. Embora os indícios apontem conhecimento e participação do ex-presidente como favorecido, Lima evitou afirmar categoricamente que o petista seria um dos líderes do esquema.

Outro esclarecimento feito pelo procurador foi a medida de uso da condução coercitiva por parte da Polícia Federal, por ordem do juiz federal Sérgio Moro. De acordo com ele, foi uma medida inadiável e que visava resguardar a integridade física de Lula. “Não havia como não fazer a oitiva do ex-presidente, e, se tivéssemos marcado com antecedência, havia um risco maior de segurança”, comentou.

Segundo o delegado Igor Romário de Paula, Lula começou a ser ouvido na sede da PF no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, desde às 8h desta sexta-feira. Além disso, ele explicou que os pagamentos e doações à LILS Palestras e ao Instituto Lula são investigados em dois inquéritos separados.

Ciente dos fortes protestos registrados em alguns locais onde a PF realizava buscas e o cumprimento de mandados, Lima ressaltou que o País vive um momento “polarizado”, de forte “maniqueísmo”, e que a preocupação dos investigadores envolve também a integridade de toda a sociedade. O procurador explicou ainda que os vazamentos de dados sigilosos estão sendo investigados, e que o vazamento da delação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) não teve influência nesta fase da Lava Jato.

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