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24/02/2016 20:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

'Procedimentos da Lava Jato doem o coração e a alma de todos os brasileiros', diz Suplicy em dia de editor no HuffPost Brasil

Senado Federal/Flickr
Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defende eleição direta para suplente de senador Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Cidadania, direitos humanos, políticas públicas, economia, músicas, livros e cantorias. Tudo isso permeado por um olhar que se preocupa com o outro, que quer dá voz e vez a todos.

O Secretário de Direitos Humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy, não poderia ter inaugurado de maneira melhor a série "Editor por um dia" do HuffPost Brasil.

Na tarde desta quarta-feira (24), ele se integrou à redação para acompanhar uma reunião de pauta, sugerir destaques, reportagens e, ainda, responder as perguntas dos leitores em um bate-papo ao vivo pelo Facebook.

Os temas foram dos mais variados: Dilma, Marta Suplicy, Lula, Fernando Haddad, Lava Jato, Rede Sustentabilidade, Renda Básica de Cidadania e, claro, a música dos Racionais MC's.

Sobre as investigações da Lava Jato, o secretário considera que a operação "tem um propósito sério".

"São procedimentos que doem o coração e a alma de todos os brasileiros, principalmente o meu e de quem é do PT. Eu considero a Dilma uma pessoa séria, bem intencionada, que está passando por momentos extremamente difíceis.

Acredito que ela está realizando um esforço enorme para acertar neste governo. Tenho convicção da seriedade de propósitos e procedimentos e acredito que, em tudo que ela possa estar consciente, não será permitido atos ilícitos."

Questionado sobre a sua posição e permanência no partido, mesmo após tantas polêmicas, ele não hesita ao responder que continuará até o fim.

"As pessoas me perguntam porque ainda estou no PT e eu digo que, quando as pessoas cometem erros sérios, é nossa responsabilidade tomar medidas para prevenir e evitar esses erros.

Hoje estou na Secretária de Direitos Humanos de São Paulo, mas onde estivermos temos que dar o exemplo de ética, retidão e transparência em todos os atos que realizamos.

Não me arrependo da decisão que tomei em 1979 quando li os estatutos do partido e vi que aqueles objetivos comungavam com os meus. Acho que avançamos muito no propósito de um país mais justo, da ética na política e de criar oportunidades para aqueles que nunca tiveram.

Óbvio que erros foram cometidos, e estamos pagando caro por isso. Mas no que eu puder ajudar para acertar as contas, eu quero contribuir."

Apesar da lealdade declarada, ele não esqueceu de reforçar o seu apoio à Rede Sustentabilidade, partido liderado por sua amiga pessoal Marina Silva.

"Reconheço na Marina uma pessoa de extraordinária qualidade. Estive lá e assinei, assim como outros companheiros do Senado, quando ela solicitou o meu apoio para a viabilização do partido. Tenho muito carinho por ela, assim como por outros colegas como o Ivan Valente, o Chico Alencar e a Luiza Erundina - e isso é saudável, pois haverá muitos objetivos que serão comuns para nós. A Marina já me convidou para ir para Rede, mas eu ainda fico no PT."

Com relação ao seu trabalho atual, Suplicy revelou que o maior desafio da sua gestão e do atual prefeito, Fernando Haddad, é um problema antigo por muitas vezes naturalizado nas grandes capitais: a situação dos moradores de rua.

"Há em São Paulo, segundo uma pesquisa feita pela USP, 16 mil pessoas em situação de rua. Como houve uma dificuldade econômica maior e aumentou o desemprego nesses últimos meses, é visível que este número tenha aumentado.

Considero este um dos meus maiores desafios e do Haddad: a realização de medidas que possam superar esse problema, inclusive com programas habitacionais efetivos. O prefeito tem propósitos saudáveis para melhorar a cidade e eu tenho colaborado com ele."

Uma de suas principais bandeiras, a Renda Básica de Cidadania, tema do seu livro Renda de Cidadania: a saída pela porta, foi novamente defendida com força. A proposta é o conteúdo da 34ª carta à presidente, na qual reforça o seu pedido de reunião para que ela discuta a lei.

"A lei aprovada pelos partidos e sancionada pelo ex-presidente Lula, em 2004, tem um parágrafo em que a Renda Básica é colocada como direito de brasileiros e estrangeiros residentes no país, não importando a condição financeira, devem receber uma renda suficiente para atender suas necessidades vitais.

A abrangência dessa lei será decidida pelo executivo por etapas, a começar pelos mais necessitados. Um dia será instituído esse direito, tenho certeza. Eu proponho a Dilma que ela constitua um grupo de trabalho para estudar o projeto - inclusive, citei 70 nomes brilhantes para compor a pesquisa. Tenho respeito pela presidente e ela me assegurou que vai me atender quando acalmar sua agenda."

Sobre as futuras eleições, ele ainda faz mistério.

"A Marta [Suplicy] tem saído em campanha pelas ruas. É fácil notar a presença dela. Ela preferiu não conversar comigo sobre a saída do PT e eu respeitei o seu direito. O que vai acontecer daqui pra frente e até 2018 está inteiramente aberto. Vai depender de muitos episódios que ainda estão para acontecer."

O secretário se mostrou aberto a concorrer para vereador, caso o partido entenda que este é o melhor caminho a ser seguido. "Mas estou disposto a permanecer na secretaria até o fim do mandato do Haddad, se ele preferir assim."

Ao finalizar a conversa, o secretário atendeu os pedidos do repórteres e internautas e recitou a música dos Racionais MC's, Homem na Estrada, que considera um hino.

"A música dos Racionais ilustra bem pelo o que eu luto, para que essas pessoas não precisem viver nessa vida louca."

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