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22/02/2016 22:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

5 motivos que fazem do retorno de Delcídio um show de constrangimento

Antônio Cruz/ Agência Brasil

Um show de constrangimento. É assim que os senadores definem o retorno do colega Delcídio do Amaral (PT-MS) aos trabalhos da Casa. Há uma série de dúvidas que colocam em xeque o retorno do senador. Para evitar danos, colegas esperam que ele se licencie do cargo.

O senador Álvaro Dias (PV-PR) é um dos que defende que ele se afaste.

“O constrangimento é muito grande. O ideal é que ele se licencie para preparar sua defesa, esse é um direito que ele tem."

Instabilidade jurídica

A previsão era que o senador retornasse ao Congresso nesta segunda-feira (22). Ao longo do dia, a data mudou para terça, depois para quarta e, em seguida, qualquer expectativa foi suspensa.

O principal problema é que não se sabe se o senador poderá participar das sessões noturnas.

Embora o despacho do ministro Teori Zavascki que mudou o regime da prisão de Delcídio para domiciliar ressalte que o senador poderá exercer plenamente o cargo, não há nenhuma especificação sobre as atividades após o sol se por.

A defesa de Delcídio quer que o senador só retorne quando a situação dele estiver clara.

Presidência da CAE

A comissão mais importante do Senado em tempos de crise, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) era presidida por Delcídio. Em um acordo interno do PT, foi escolhida a ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) para assumir o posto.

Na sexta-feira, ao saber da mudança de regime, Delcídio disse que voltaria a presidir o colegiado. Após ouvir emissários do governo que querem evitar constrangimento, o senador resolveu abrir mão do posto.

O problema é que a decisão da bancada petista é altamente questionável. Delcídio só poderia deixar a cadeira se fosse cassado ou renunciasse. Há o temor que PSDB ou DEM reclame da decisão do PT e exija que o senador se mantenha no cargo, o que representa um grande desgaste para o governo.

Situação no partido

No dia em que foi preso, Delcídio sentiu a diferença de comportamento entre a bancada petista no Senado e o comportamento da direção da legenda. Enquanto os senadores tentavam relaxar a prisão do correligionário, o partido se isentou da discussão.

Com o retorno do senador fica a dúvida se o partido vai acelerar a expulsão ou se pisará no freio. No senado, a aposta é que o processo será lento. A ideia é evitar que o senador fragilize o partido e vice-versa.

Apesar de temer um embaraço, o comportamento da bancada deverá ser de acolhimento. Caberá ao senador decidir se continuará ou não participando das reuniões do grupo.

Delcídio já avisou que fará um discurso, sem revanchismo, também com tom de acolhimento.

Conselho de Ética

A volta do senador ao Congresso também implica em celeridade no processo no Conselho de Ética. Para evitar mal-estar, Delcídio já avisou que só participará das reuniões do conselho em momento oportuno. A intenção dele é não prejudicar o processo que pede a cassação de seu mandato.

Nos bastidores, porém, a defesa do petista batalha para não perder a queda de braço. Foi pedida a substituição do relator no caso, o senador tucano Ataídes de Oliveira (TO), e a previsão é que o pedido seja aceito.

Ameaça de entregar os colegas

Toda postura pública serena do senador tem como finalidade manter o mandato. Se cassado, o processo vai imediatamente para a primeira instância e o prognóstico é que ele seja imediatamente julgado pelo juiz Sérgio Moro.

Para evitar que isso ocorra, interlocutores dizem que o senador fará um imenso esforço com cada um senador cobrando fidelidade.

Em novembro, quando foi preso, ele chegou a dizer que não seria preso sozinho, mas não fez acordo de delação premiada.

Aliados destacam o bom relacionamento do senador com base e oposição e lembram que ele foi diretor na Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso. “Ou seja, ele tem informações de todos os lados”, diz um petista.

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