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20/02/2016 12:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Firma isenta FHC por pagamentos à ex-amante no exterior, mas PT pede investigação do tucano

Montagem/Reprodução Facebook

A Brasif Duty Free Shop Ltda. isentou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) quanto aos pagamentos feitos pela empresa à jornalista Mirian Dutra, com quem FHC manteve uma relação extraconjugal nos anos 80 e 90. Em nota, a firma explicou a relação que manteve com Mirian, que acusou que o acordo era ‘fictício’ e serviria para receber mesada de FHC.

Leia a íntegra do comunicado da Brasif:

1. A Eurotrade Ltd., plataforma logística internacional das operações da Brasif Duty Free Shop Ltda., contratou, em dezembro de 2002, a jornalista Miriam Dutra para realizar pesquisas sobre os preços em lojas e free shops na Europa;

2. O jornalista Fernando Lemos, cunhado da jornalista Miriam Dutra, indicou-a para tal;

3. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não teve qualquer participação nessa contratação, tampouco fez qualquer depósito na Eurotrade ou em outra empresa da Brasif;

4. A Eurotrade Ltd. e a Brasif Duty Free Shop Ltda. foram vendidas em 2006.

Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2016.

Citado na nota, Fernando Lemos (morto em 2012) foi casado com Margrit Dutra Schmidt, esta acusada de ser ‘funcionária fantasma’ do senador José Serra (PSDB-SP). O tucano afirmou que possui uma “relação pessoal de anos com Mag” e que o trabalho que ela faz é de consultoria, em casa – algo que é proibido pelas regras do Senado.

Segundo Mirian, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, foi pelo ex-cunhado que ela acertou o pagamento de US$ 3 mil mensais, entre 2002 e 2006, que seria feito pela Brasif a ela, por um serviço que, de acordo com a jornalista, ela jamais prestou. De sua parte, o ex-presidente nega ter cometido qualquer relação com a empresa ou com qualquer tipo de irregularidade em seus repasses para a ex-amante e para o filho dela, Tomás Dutra Schmidt.

“Todas as remessas internacionais que realizou obedeceram estritamente à lei, foram feitas a partir de contas bancárias declaradas e com recursos próprios resultantes de seu trabalho. Não tem fundamento, portanto, qualquer ilação de ilegalidade. O presidente lamenta o uso político de uma questão pessoa”, afirmou FHC, em comunicado.

Diante da polêmica, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, pediu a apuração das eventuais irregularidades cometidas pelo ex-presidente tucano. “Não quero entrar na vida pessoal de ninguém, mas se é verdade que houve utilização de empresa para pagar salário de forma irregular, seja de quem for, tem que se investigar também”, afirmou ele, em ato do PT municipal paulistano.

De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a Polícia Federal analisará "aspectos técnicos e jurídicos" a respeito do envio de dinheiro ao exterior por parte de FHC à Mirian Dutra. Sobre a possibilidade de abertura de inquérito policial, ele disse que a “palavra técnica final” será da PF. “Há um estudo preliminar para ver se vai abrir a investigação. Estamos analisando”, disse Cardozo durante visita ao Rio.

Cardozo classificou como “uma prática comum” o procedimento de análise de indícios. “Saiu uma matéria, eu sou informado dela, a minha assessoria olha, a PF olha. Se chega uma representação, aí nós analisamos”, comentou o ministro, que mais tarde ainda declarou que não foi adotado um procedimento específico contra o ex-presidente.

“Isto não vale apenas para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas para todos os brasileiros e brasileiras. Aquilo que for de competência da PF e tiver indícios de prática criminosa, dentro de situações que são puníveis, tudo será absolutamente investigado. Então, essa (investigação) não é uma situação diferenciada, atípica”, concluiu.

Amizade de FHC com jornalista

Segundo informações deste sábado (20) da coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, FHC era próximo do jornalista Fernando Lemos, apontado como a pessoa que fez a ponte entre ele, Mirian Dutra e a empresa Brasif. À publicação, três políticos próximos ao tucano confirmaram a relação entre os dois.

O jornal diz ainda que a Brasif contratou os serviços de consultoria da Polimidia – empresa de comunicação que pertencia a Lemos – entre 1993 e 2010, período que abrange o tempo de FHC no Palácio do Planalto (1994 – 2002). Ainda segundo a Folha, especialistas informaram à reportagem da publicação que “são remotas” as chances de FHC ser investigado pelas remessas de dinheiro à ex-amante.

(Com Estadão Conteúdo)

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