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17/02/2016 12:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Protesto de grupos pró e contra Lula tem confusão e violência em São Paulo

Montagem/Roberto Parizotti/ CUT

Algumas dezenas de pessoas que manifestam a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em frente ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, pularam a grade de proteção que havia sido montada pela Polícia Militar e interditaram parte da Avenida Doutor Abrahão Ribeiro. Centenas de manifestantes a favor e contrários a Lula e ao PT fazem, na manhã desta quarta-feira (17), um ato em frente ao fórum.

A ação causa confusão no trânsito, com motoristas buzinando enquanto a PM tentava controlar a situação. Os manifestantes favoráveis ao petista também soltaram fumaça vermelha, a cor do partido, e rojões.

A PM não estimou o número de manifestantes, mas o grupo pró-Lula é maior do que o de pessoas contrárias ao ex-presidente.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a sua mulher, Marisa Letícia, iriam prestar depoimento nesta quarta, neste fórum, no inquérito aberto pelo Ministério Público de São Paulo sobre suposta propriedade de familiares do petista de um tríplex na praia do Guarujá, no litoral paulista. Contudo, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) suspendeu o depoimento, acatando requerimento do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), um dos parlamentares mais próximos de Lula.

Segundo a PM, os manifestantes começaram a lotar a calçada do Fórum da Barra Funda desde 7h e há relatos até de pessoas que dormiram no local. Do lado anti-Lula há representantes de 43 movimentos favoráveis ao impeachment que se intitulam "Aliança nacional dos movimentos democráticos". Eles carregam bandeiras do Brasil, faixas e cartazes de apoio ao juiz Sérgio Moro e contrários ao governo Dilma e ao ex-presidente. Eles tocam chocalhos e buzinas. Gritam "minha bandeira jamais será vermelha" e "Fora PT".

Procurador-geral de SP critica liminar

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, divulgou nesta quarta-feira (17) uma nota de apoio ao Ministério Público paulista no caso de investigação de ocultação de patrimônio em suposta propriedade de tríplex no Guarujá envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, Elias Rosa chama a decisão do Conselho Nacional do Ministério Público de suspender o depoimento de Lula agendado para esta quarta-feira de "monocrática" e diz que foi informado pela imprensa. Ele ainda cobra uma comunicação formal do colegiado sobre a suspensão decidida na terça-feira (16).

"A Procuradoria-Geral de Justiça tomou conhecimento, pelos meios de comunicação, da decisão monocrática do CNMP que suspendeu ato designado em procedimento investigatório criminal de alçada do Ministério Público estadual, em caso que ganhou notoriedade pública, por envolver, dentre outros, o ex-Presidente da República, Senhor Luiz Inácio Lula da Silva", diz o documento assinado pelo procurador-geral. "Aguarda-se, diante da singularidade, o recebimento da comunicação da decisão para análise quanto às providências cabíveis", segue o texto.

A nota de Elias Rosa não faz acusações diretas à decisão do CNMP, mas destaca que o órgão, como já decidido em ocasiões anteriores, não pode 'interferir em funções de execução' de cada Ministério Público Estadual. "(A Procuradoria-Geral de Justiça) compreende que a Constituição ao reservar ao CNMP o controle externo quanto à atividade administrativa do Ministério Público, exclui de seu âmbito a interferências nas funções de execução, entendimento já consolidado no âmbito daquele próprio Colegiado."

Apesar da observação, Elias Rosa diz na nota confiar "nos acertos de atuação" do CNMP. "Salienta a Procuradoria-Geral de Justiça, desde já, que confia nos acertos de atuação de seus Membros e que contam com o irrestrito apoio desta Procuradoria-Geral de Justiça para a defesa das suas prerrogativas e atribuições."

Ao fim do documento, o procurador-geral manifesta apoio à investigação do MP-SP, conduzida pelo promotor Cassio Roberto Conserino. "De modo transparente, objetivo e sereno, prosseguirá o Ministério Público no cumprimento das suas graves responsabilidades, aguardando deliberação colegiada do próprio CNMP sobre o tema."

Presidente do Instituto Lula diz que decisão do CNMP foi 'acertada'

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, disse que foi "acertada" a decisão do CNMP de adiar o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua mulher, Marisa Letícia. "O promotor fez um prejulgamento, estava sendo parcial. Isso não é como deve ser feita a Justiça no Brasil", afirmou ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado. "O Ministério Público é uma instituição séria. Tem que apurar e esclarecer a verdade."

Okamotto se referiu ao fato de que, em entrevista à revista Veja, o promotor de Justiça Cassio Roberto Conserino afirmou que denunciaria Lula e sua esposa por ocultação de propriedade, antes de se pronunciar oficialmente no processo. O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar suposta propriedade de familiares do petista de um tríplex no Guarujá, no litoral paulista.

Ele negou que o pedido para adiar o depoimento possa ser interpretado como uma negativa de Lula a dar esclarecimentos sobre o caso. "Você só explica para quem quer ouvir a explicação, não para quem quer prejulgar ou já tem uma verdade preestabelecida", afirmou.

O presidente do Instituto Lula também comentou a reportagem publicada nesta quarta-feira pela Folha de S. Paulo, que diz que o ex-sindicalista José Zunga Alves de Lima teria articulado, dentro da Oi, a instalação de uma antena de telefonia celular perto do sítio em Atibaia frequentado pela família de Lula. "O presidente Lula nem tem telefone celular. Ali perto tem outras propriedades e condomínios", disse Okamotto.

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