MULHERES
15/02/2016 10:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Candidato a suceder Eduardo Paes no Rio, Pedro Paulo é alvo de pedido de investigação pela PGR por agressão à ex-mulher

Reprodução/Facebook

As agressões do secretário executivo da prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Carvalho, contra a ex-mulher Alexandra Marcondes Teixeira podem ser alvo de uma investigação por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR). O pedido de abertura de inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Pré-candidato à suceder o prefeito Eduardo Paes (PMDB) – de quem tem o apoio – nas próximas eleições, Pedro Paulo foi denunciado em duas ocorrências por Alexandra, em 2008 e 2010, quando eles eram casados. Os registros de agressão apontam que ele deu socos no rosto e corpo da ex-mulher. Há também relatos de ofensas verbais a Alexandra, com xingamentos de “vagabunda” e “piranha”, entre outros.

Por ser deputado licenciado, o caso foi encaminhado pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) para a PGR. São documentos sobre a agressão em 2010 praticada contra Alexandra no apartamento do casal no Rio. Na ocasião, ela chegou a quebrar um dente e os dois fizeram exame de corpo de delito. Laudo do Instituto Médico Legal aponta que ela ficou com hematomas. Desde então, Carvalho e Alexandra estão separados.

Segundo o jornal O Globo, as agressões de 2010 teriam sido motivadas por uma traição de Pedro Paulo. De acordo com depoimento dado por ela à polícia na época, ela encontrou indícios de que outra mulher esteve no apartamento do casal. Ao confrontar o então marido, acabou sendo agredida por ele.

Desde a vinda à tona das notícias sobre a agressão, a ex-mulher participou de um encontro com a imprensa e minimizou o caso. Os dois já assumiram as agressões. Em uma das coletivas a jornalistas, no ano passado, o secretário questionou: “Quem não tem uma briga, um descontrole, quem não exagera numa discussão? A gente às vezes exagera, fala coisas que não deve. Quem não tem essas discussões e perde o controle? A gente perde o controle e tem discussões”. Ele também disse que o seu caso não se enquadra na Lei Maria da Penha.

A peça com o teor das suspeitas da PGR ainda não foi tornada pública pelo Supremo. O caso foi distribuído ao gabinete do ministro Luiz Fux, que será o relator do inquérito na Corte. Após a abertura da investigação, Ministério Público e Polícia Federal podem realizar diligências para apurar mais informações sobre o caso e, então, oferecer uma denúncia contra o secretário.

Secretário muda versão e se diz ‘vítima’

A defesa de Pedro Paulo já se manifestou junto à PGR e enviou um documento em que coloca o secretário como ‘vítima’ da ex-mulher. Segundo reportagem publicada no último sábado (12) pela revista Veja, ele espera pelo arquivamento do processo. Para isso encaminhou um vídeo em que Alexandra diz ter partido dela as agressões, e que Pedro Paulo apenas se defendeu. Há ainda um laudo da defesa que contradiz as conclusões da Polícia Civil do Rio.

Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, essa é mais uma razão para que a investigação seja aberta, uma vez que há um “giro radical” no caso, com a “vítima tornando-se agressora”. “(Esse) giro radical precisa ser bem esclarecido, inclusive porque (a tentativa de incriminar alguém inocente, a ser de fato falso o primeiro depoimento dela) é crime, punido com reclusão de dois a oito anos”, diz Janot no documento da PGR.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo em janeiro deste ano, Eduardo Paes manteve o apoio ao seu secretário e chegou a colocar em dúvida as agressões denunciadas por Alexandra. “Não estou minimizando. Ele tem o direito à defesa. Conheço o Pedro Paulo e sei que não estou lidando com um homem violento, espancador de mulheres (...). Será que ele conhecia os fatos? Será que alguns fatos aconteceram?”, disse o prefeito do Rio.

(Com Estadão Conteúdo)

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