MULHERES

Presidente do Partido da Mulher prega igualdade entre homens e mulheres e diz que nome 'é como logomarca'

11/02/2016 07:48 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/Facebook


A criação do 35º partido político do Brasil poderia ser considerado o ápice da vida de Suêd Haidar. Isso para quem não conhece a trajetória de vida desta maranhense de 59 anos, nascida em uma família humilde de São Luis Gonzaga (MA), e que adotou o Rio de Janeiro como casa há quase quatro décadas. Tão difícil quanto vencer na cidade grande é o desafio do presente: explicar o Partido da Mulher Brasileira (PMB).

“Somos um partido feminino, não feminista”, diz Haidar ao HuffPost Brasil. Mais incômoda do que a gripe que acompanhava a presidente do PMB no dia da entrevista, só as incessantes perguntas a cada entrevista que tentam desvendar do que se trata a legenda e as razões que fazem muitas mulheres – notadamente as feministas – questionarem a utilidade do PMB, se não for para ter a mulher como o seu ‘carro-chefe’.

De acordo com Haidar, é preciso entender logo de saída que o ‘monopólio das ruas’ quando a mulher e seus interesses estão em pauta não repousam nos braços exclusivos das feministas. A dirigente do PMB – que já conta com passagens pelo PDT e pelo PCdoB – explica que o foco central da sigla é buscar cada vez mais a igualdade entre homens e mulheres em todos os setores da sociedade.

“É um direito de todos os brasileiros e brasileiras lutar por mais igualdade. Temos de dar outra conotação quando afirmo que somos femininas, até porque querem que a gente afirme que temos de ser feministas para ir às ruas. As pessoas precisam entender que o PMB não luta só pela mulher. Somos formados por homens e mulheres, então não podemos ter uma única bandeira. Não podemos dizer ‘aqui não entra homem’. Vamos tentar explicar isso melhor nestas eleições”, avalia.

Com menos de seis meses de vida, o PMB rapidamente formou uma bancada com quase duas dezenas de deputados (somente duas mulheres) e um senador. É outro ponto que incomoda e soa antagônico ao próprio nome da legenda. Mais uma vez, Haidar reforça que o cenário atual do partido reflete a baixa presença de mulheres no Congresso – não que isso signifique que ela apoie qualquer cota para mulheres na política (“sou contra cotas em qualquer setor”).

“Temos hoje 53 mulheres parlamentares, cada uma com sua história de vida. São poucas as que estão em primeiro mandato, então é um pouco complicado. Convidamos algumas, mas elas já desenvolvem projetos onde estão, por isso só contamos hoje com duas parlamentares. Ter uma maioria masculina não é problema. Eles vão nos ajudar a melhorar a representatividade da mulher até 2018 (...). É preciso ter a clareza que PMB é uma logomarca, como o PT se diz ‘dos trabalhadores’ e o PV como sendo ligado ao verde”.

Especialistas dizem que o PMB cresceu rapidamente porque migrar para um partido recém-criado é garantia de que um parlamentar mude de legenda sem ter de se preocupar com a perda de mandato. “Não acho que tenhamos atraído tantos parlamentares por isso. Acredito mais na questão da liberdade, das discussões e decisões em conjunto. No PMB eles viram que poderiam desenvolver projetos que não podiam em seus antigos partidos” rebate Suêd.

‘Somos centro-esquerda’

Antes mesmo de ser ‘adotado’ por parlamentares com perfil mais conservador na Câmara, o PMB já era tido como um ‘partido de direita’, sobretudo pela posição pessoal de suas dirigentes, contrárias ao aborto, à legalização das drogas e à discussão dos gêneros no ensino nacional. Na opinião de Haidar, essa interpretação do partido é equivocada.

“Somos um partido de centro-esquerda. Nunca vamos defender só a direita, nem a extrema direita ou a esquerda radical. Somos novos no cenário político, buscamos novos entendimentos, com um perfil mais centrado. Não adianta ser radical só por radicalismo, ser direita ou esquerda porque é contra isso ou aquilo. Queremos debater todos os assuntos”, afirma a presidente da sigla.


sued haidar

Suêd Haidar é uma das líderes que trabalhou pela fundação do partido desde 2009 (Reprodução/Facebook)


Se explicar a posição do partido dentro de um organograma político tradicional parece simples, o mesmo não acontece quando Haidar tenta responder a respeito do posicionamento da legenda em relação ao governo federal - “Ainda estamos organizando a casa", diz - ou sobre quais serão os principais projetos encampados pelo PMB nesta nova legislatura, que começou neste mês.

“Iremos nos reunir agora, após o Carnaval, para discutir todos juntos qual será o primeiro projeto que iremos alavancar. O que já temos como certo é fomentar escolas de política na maioria das cidades, na busca por mulheres que queiram debater a política. Estamos tomando corpo, por isso a necessidade de discutirmos em conjunto antes de um posicionamento”, explica.

Com a promessa de candidaturas próprias nas principais cidades do Brasil nestas eleições municipais, o PMB pede um voto de confiança. “Estamos começando agora, mas o partido é o resultado de quase oito anos de luta. Convidamos a todos que venham fazer parte deste projeto. A nossa luta é pela vida e pela igualdade. Assim sendo, todos são bem-vindos”, finaliza a presidente.

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