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11/02/2016 10:37 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:24 -02

Pesquisadores encontram novas evidências de ligação do Zika com microcefalia

Mario Tama via Getty Images
RECIFE, BRAZIL - FEBRUARY 03: Mother Daniele Santos changes her baby Juan Pedro, 2-months-old, who was born with microcephaly, on February 3, 2016 in Recife, Pernambuco state, Brazil. In the last four months, authorities have recorded thousands of cases in Brazil in which the mosquito-borne Zika virus may have led to microcephaly in infants. Microcephaly results in an abnormally small head in newborns and is associated with various disorders. The state with the most cases is Pernambuco, whose capital is Recife, and is being called the epicenter of the outbreak. (Photo by Mario Tama/Getty Images)

Três novos estudos divulgados na quarta-feira, 10, reforçam as evidências de que a epidemia de zika pode estar associada ao surto de casos de bebês nascidos com microcefalia no Brasil. Os trabalhos da Eslovênia, dos Estados Unidos e do Brasil identificaram a presença do vírus no cérebro de bebês com microcefalia.

O estudo europeu foi feito em um bebê abortado com microcefalia, cuja mãe havia engravidado no Brasil. A mulher, de 25 anos, optou por interromper a gravidez com 32 semanas de gestação, após uma ultrassonografia confirmar a existência da má-formação, e autorizou a realização do estudo, feito na Universidade de Ljubljana e publicado na quarta-feira no site da revista médica americana The New England Journal of Medicine.

Segundo o relato dos pesquisadores, a paciente era uma mulher europeia que estava fazendo trabalho voluntário em Natal (RN). Ela engravidou no fim de fevereiro de 2015 e apresentou sintomas de zika três meses depois. Exames de ultrassonografia realizados na 14ª e 20ª semana de gestação não revelaram nenhum problema.

Na 29ª semana, logo após ela voltar à Europa, uma ultrassonografia identificou os primeiros sinais de anomalia; e semanas depois foi confirmada a microcefalia. A circunferência craniana do feto era de 26 centímetros.

Os médicos constataram no cérebro vários pontos de calcificação, ausência de dobras e acúmulo de líquidos. A presença do zika no órgão foi confirmada por análises genéticas e microscopia eletrônica.

Fortes evidências

Outro resultado similar veio do Centro de Controle de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que analisou amostras do Rio Grande do Norte de dois bebês que morreram cerca de 20 horas depois de nascer e de dois fetos abortados.

As quatro mães tinham apresentado sinais clínicos de infecção por zika no primeiro trimestre de gravidez. O vírus foi encontrado em amostras de cérebro dos recém-nascidos, no tecido dos fetos e nas placentas.

O diretor do CDC, Thomas Frieden, se dirigiu ao Congresso americano ontem para pedir apoio aos esforços contra a epidemia e disse que a análise do material genético no cérebro de bebês brasileiros é "a mais forte evidência até agora" da relação entre zika e microcefalia.

O virologista brasileiro Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas, que tinha feito a primeira identificação de zika em um bebê com microcefalia no Brasil, informou ao jornal Estado de S. Paulo que também no País há novas evidências. Seu grupo acabou de identificar em 12 bebês com microcefalia a presença de zika no líquido cefalorraquiano, encontrado no crânio e na medula espinhal.

"Não tenho nenhuma dúvida da relação. Mas isso nos dá a certeza de que estamos no caminho certo e, como não temos vacina nem tratamento, o alvo tem de ser combater o mosquito."

Os casos suspeitos e confirmados de recém-nascidos com má-formação cerebral ligada ao zika vírus no Brasil chegaram a 4.074 até 30 de janeiro, segundo último balanço do Ministério da Saúde.

Cautela

Apesar das evidências, a Organização Mundial da Saúde ainda não sabe porque os casos de microcefalia estão concentrados no Brasil. O representante da OMS, Christian Lindmeier, explicou ser difícil estabelecer o que ocorreu há nove ou há 10 meses.

Segundo Lindmeier, não se sabe o que afetou as grávidas no primeiro trimestre da gestação ou até mesmo antes, durante a concepção. Por isso é importante descobrir se o zika é mesmo o único responsável pela microcefalia.

O porta-voz da OMS confirma que o vírus já foi encontrado no sangue e no sêmen, mas as condições da transmissão ainda não estão completamente claras. Os pesquisadores buscam descobrir, por exemplo, por quanto tempo após a infecção o zika pode ser transmitido para outra pessoa.

Na Colômbia, das 3.177 grávidas que foram infectadas com o zika vírus não houve nenhum caso de microcefalia, de acordo com o presidente Juan Manuel Santos. Segundo um comunicado no último sábado (6), não há nenhuma evidência de que a microcefalia está relacionada ao vírus.

(Com informações da Estadão Conteúdo, EBC e Reuters)

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