MULHERES

Feminino x feminista: Que Partido da Mulher Brasileira é esse que chega às suas primeiras eleições?

11/02/2016 01:31 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução Facebook


Dia 29 de setembro de 2015. Em seu despacho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, escreve: “o quantitativo de apoio comprovado (....) excede o total exigido pela norma em 14.761 apoios”. O documento em questão tratava da criação do Partido da Mulher Brasileira (PMB), o qual, passados cinco meses, já conta com uma bancada de 21 deputados federais e um senador.

Entretanto, não são poucas as polêmicas que envolvem a legenda recém-criada. Dos seus 22 parlamentares, apenas duas são mulheres. O seu único senador, Hélio José (DF), chegou a ser acusado em 2010 de ter supostamente abusado sexualmente da própria sobrinha (o caso acabou arquivado). Antes mesmo da criação do PMB, a direção se posicionou contra temas como o aborto.

Mais polêmico do que tudo isso, só mesmo a iniciativa do partido em não se vincular ao feminismo. “O Partido da Mulher Brasileira não luta só pela mulher. As pessoas entender essa questão. Somos um partido formado por homens e mulheres, lutamos por todas as causas, por igualdade. Há quem pense que ‘é preciso ser feminista pra ir às ruas’, para fazer isso e aquilo. As eleições de 2016 vão nos ajudar a esclarecer isso”, disse ao HuffPost Brasil a presidente do PMB, Suêd Haidar.

O partido foi o 35º a integrar o já inchado e fragmentado cenário político brasileiro e a promessa é não fazer figuração. Os planos envolvem lançar candidatos próprios nas principais capitais do Brasil. Mas para especialistas, a ‘confusão’ sobre do que se trata o PMB dá mais margem para dúvidas do que para esperanças.

“Na linha de partido político o PMB não disse a que veio. Tudo indica, com base no perfil dos parlamentares que se filiaram, que não se trata mesmo de um partido feminista. Há questionamentos quanto a causa das mulheres e, a princípio, é só mais uma legenda, só mais um ‘partido de abrigo’, de interesses”, avaliou o cientista político Marco Antônio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O HuffPost Brasil quis obter mais respostas sobre o PMB junto à presidente Suêd Haidar (leia a entrevista completa). Um indicativo prévio antes das eleições municipais também foi dado pela pré-candidata da legenda à Prefeitura de São Paulo, Denise Abreu, que não titubeou: “O PMB é antifeminista”. O que é certo é que, em alguns temas, as posições já são conhecidas e você pode conhecê-las abaixo:

ABORTO:

“Enquanto eu estiver no comando da legenda, o PMB não vai apoiar uma coisa dessas”, disse Suêd Haidar ao UOL, em 2013. Após três anos, o discurso parece mais aberto ao debate, embora a postura contrária persista. “É uma questão que deve ser discutida por todos. O que não podemos concordar é que as pessoas saiam por aí matando vidas. Temos que lutar por instituições públicas, que desenvolvam programas para mulheres na questão da prevenção. É um tema de saúde pública que deve ser debatido”.

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA:

Ao HuffPost Brasil a presidente do PMB não marcou uma posição coletiva quanto ao tema. “Ainda vamos discutir isso no encontro que teremos após o Carnaval”, comentou. Mas no passado, Suêd Haidar afirmou que a posição formada pelas lideranças era de contrariedade à legalização da maconha ou de qualquer outra droga. “A descriminalização é uma forma de liberar a droga”, disse ela em 2013.

MAIORIDADE PENAL:

Outro tema que o partido diz necessitar de “tempo para formar posição”. Contudo, a presença de parlamentares que integram também a Bancada da Bala na Câmara dos Deputados inclina o PMB a um posicionamento favorável à diminuição da maioridade penal no Brasil.

COTAS:

“Nunca fui a favor de cotas, em qualquer setor. Temos que batalhar pelo espaço de cada um com trabalho, de acordo com o perfil de cada um, com a parte técnica e a inteligência de cada um. Nunca levantei bandeira quanto à cotas. Acho que o negro tem direito. O índio tem direito sim. Mas tudo tem que ter um começo, a luta do negro e da mulher, por exemplo, não são de hoje. Tivemos um País que foi formado em sua maioria pela força do homem sim e essa é a situação, por isso devemos ir quebrando mitos e culturas, desbravando para frente”, explicou Suêd Haidar.

CASAMENTO GAY:

O partido se diz favorável à união de pessoas do mesmo sexo e ao próprio casamento gay. “Sou favorável ao casamento gay. Todos têm o direito de optar. Eu respeito os homossexuais”, afirmou a presidente do PMB, três anos atrás.

DIREITA OU ESQUERDA?

“Somos centro-esquerda. Nunca vamos defender só a direita, nem a direita ou a esquerda radical. Somos mais centrais”, avaliou Suêd Haidar. A pré-candidata do partido em São Paulo, Denise Abreu, complementou: “Não existe nenhum partido de direita no Brasil hoje. É um sofisma para conquistar voto”. Há três anos, porém, a presidente do diretório mineiro do PMB, Rosimere Machado de Jesus, teve outra avaliação. “O PMB é um partido de direita.”

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