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09/02/2016 20:37 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Por que o show de Beyoncé no Super Bowl revoltou conservadores nos EUA

ASSOCIATED PRESS
Beyonce performs during halftime of the NFL Super Bowl 50 football game Sunday, Feb. 7, 2016, in Santa Clara, Calif. (AP Photo/Charlie Riedel)

No último domingo (7), Beyoncé fez história ao se apresentar no intervalo do Super Bowl, grande final do campeonato de futebol americano NFL, na Califórnia, Estados Unidos.

A cantora não apenas fez um show tecnicamente impecável – que chegou a ofuscar Coldplay e Bruno Mars, que também se apresentaram –, mas fez dele também um ato político.

Beyoncé cantou seu novo single, Formation, cuja letra é, basicamente, um salmo para encorajar e reforçar a autoestima dos negros.

"Eu gosto do meu nariz com narinas Jackson Five", diz a letra.

O videoclipe recém lançado mostra a cantora em cenários e situações que remetem à cultura negra negra no sul dos EUA, considerada uma das regiões mais racistas do país. Também faz referências à violência policial contra negros.

Com um esquadrão de dançarinas negras vestidas como militantes da organização revolucionária Panteras Negras, Beyoncé fez uma apresentação incisiva – que também citou o movimento Black Lives Matter, que contesta a violência policial contra negros, pedindo justiça por mais uma de suas vítimas.

Foi o suficiente para comentaristas conservadores criticarem a cantora.

Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, disse no programa Fox and Friends, da Fox News, que a apresentação foi "ultrajante", por "atacar os policiais que são pessoas que protegem ela [Beyoncé] e nós".

Ele comentou:

"O que deveríamos estar fazendo na comunidade negra e em todas as comunidades é construir respeito pelos policiais. E nos focar no fato de que, quando alguma coisa dá errado, tudo bem. Trabalharemos nisso. Mas a vasta maioria dos policiais arriscam suas vidas para nos manter a salvo". (via Media Matters)

Mike Huckabee, ex-governador do estado do Arkansas, disse no Daily Show que a cantora foi "vulgar" e "grosseira", além de sugerir que ela estimula garotinhas jovens a serem strippers:

"Você conhece algum pai ou mãe que tem uma filha e diz a ela, 'querida, se você tirar notas realmente boas, um dia, quando você tiver 12 ou 13 anos, nós te daremos seu próprio pole de stripper?" (via Esquire)

O congressista republicano Peter T. King comentou no Facebook que "Beyoncé pode ser uma entertainer talentosa, mas ninguém deveria se importar com o que ela pensa sobre qualquer assunto sério confrontando nossa nação".

Donald Trump, pré-candidato republicano à presidência dos EUA, avaliou a apresentação como "ridícula" e "inapropriada".

"Quando Beyoncé estava 'empurrando' seus quadris para frente de modo sugestivo, se outra pessoa tivesse feito isso, teria sido um escândalo nacional", disse.

Segundo a organização Mapping Police Violence, a polícia dos EUA matou uma pessoa negra a cada 26 horas em 2015 - foram pelo menos 336 vidas terminadas.

A MPV diz também que 30% das vítimas negras em 2015 estavam desarmadas, ao contrário dos 19% representantes das vítimas brancas.

Negros têm três vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos.

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