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09/02/2016 11:39 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Comitê dos EUA nega orientação para atletas não virem para as Olimpíadas do Rio

Ricardo Moraes/Reuters

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC, na sigla em inglês) negou nesta segunda-feira (8) ter feito qualquer orientação para que atletas e federações esportivas do país pudessem fazer a sua escolha sobre participar ou não das Olimpíadas do Rio, que começam em agosto. A nota diz que as informações divulgadas pela agência Reuters “são 100% imprecisas”.

“As notícias de que o USOC aconselhou atletas norte-americano a reconsiderarem competir no Rio por conta do vírus zika são 100% imprecisas. O Time EUA espera pelos Jogos e nós não fizemos ou iremos impedir atletas de competirem pelo seu país, caso eles se qualifiquem. A reportagem imprecisa citou uma discussão interna com os líderes esportivos dos EUA em referencia aos empregados e aos potenciais riscos que o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) identificou para viajar a áreas infectadas pelo zika”, disse o porta-voz da entidade, Patrick Sandusky.

Horas antes, o Comitê Rio 2016 tentou demonstrar tranquilidade com a notícia de que os atletas norte-americanos poderiam escolher vir ou não. A avaliação é que o evento acontecerá no mês de agosto, durante o inverno, período de pouca proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

“Com todo esforço sendo feito no Brasil, tenho certeza que o zika não vai ser um problema. A delegação dos Estados Unidos vai ser completa, porque ninguém vai deixar de vir às Olimpíadas por causa de uma doença que acontece no verão. Ainda estamos em fevereiro, no carnaval. Tem muita coisa para acontecer ainda. Os Estados Unidos vão liberar os atletas”, disse o diretor de Comunicação do Comitê Rio 2016, Mário Andrada.

Já o governo brasileiro unificou o discurso sob a alegação que em agosto, mês de realização dos Jogos, é "baixa a circulação do mosquito" e que, portanto, o risco de contágio de atletas e visitantes "são mínimos". O ministro do Esporte, George Hilton, disse à reportagem do Estado de S. Paulo que o governo está levando estes esclarecimentos às federações esportivas de todo mundo para mostrar que não há risco para a participação dos Jogos.

"O zika é um problema de saúde pública no mundo inteiro, mas justamente pelas tipicidades do clima, não é um problema olímpico", afirmou George Hilton.

Antes da nota do USOC, Hilton reagiu assim à suposta postura do comitê olímpico norte-americano. "Muitas opiniões atualmente estão sendo formadas sem os esclarecimentos necessários", respondeu ele. "O governo brasileiro está tratando de fazer esses esclarecimentos, sobretudo junto às federações esportivas", disse.

Sem temores na Europa

Os Comitês Olímpicos Europeus, órgão com sede em Roma, informaram nesta segunda-feira que, no estágio atual do surto de zika no Brasil, não tem razões para orientar os atletas para que não compareçam aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A organização coordena os comitês olímpicos nacionais da Europa.

Consultada pela reportagem do Estado de S. Paulo, a porta-voz da instituição, Sabrina Rettondini, afirmou que até aqui não há razões para temer pela saúde dos atletas que obtiveram índices e estão classificados para participar dos jogos no Rio. "Não temos nenhuma instrução a respeito de zika. Vamos esperar e observar", disse Rettondini. "Na nossa visão não há nada urgente no que diz respeito a risco aos Jogos Olímpicos”.

Na semana passada, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach, afirmou que não teme que o vírus zika possa trazer complicações aos Jogos Olímpicos do Rio.

O Brasil é o país mais afetado pela propagação do vírus, com 1,5 milhão de infectados. O ritmo do contágio na América Latina e a propagação nas Américas e na Europa levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a definir a ameaça como uma "urgência mundial de saúde pública". Uma das principais razões de preocupação da entidade é que mulheres grávidas sejam contaminadas, situação que eleva o risco de má-formação e microcefalia em bebês.

(Com Estadão Conteúdo)

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