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Atletas dos EUA poderão escolher não vir às Olimpíadas do Rio por conta da epidemia do zika, diz agência

08/02/2016 11:38 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Ricardo Moraes/Reuters

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC, na sigla em inglês) vai deixar nas mãos de atletas e federações esportivas do país a escolhar sobre participar ou não das Olimpíadas do Rio, que começam em agosto. A decisão foi repassada em janeiro deste ano aos representantes das federações esportivas durante uma teleconferência, segundo informações da agência Reuters.

A razão para a decisão é uma só: o avanço do vírus zika no Brasil e a preocupação com o aumento dos casos de microcefalia em todo o País. As informações foram comunicadas pelo chefe de performance esportiva, Alan Ashley, que abordou as federações esportivas sobre as recomendações do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) dos EUA, de acordo com o porta-voz do USOC, Mark Jones.

“Uma das coisas que eles disseram foi que mulheres grávidas ou que planejam engravidar não deveriam ir ao Rio”, disse o presidente da federação de Esgrima, Donald Anthony. A recomendação vale não apenas para as mulheres, mas para todos “os atletas não se sentissem confortáveis”. O diretor esportivo da federação de hipismo dos EUA, Will Connell, confirmou a informação.

“Eles dizem que ninguém tem motivos para se sentir obrigado a ir (ao Rio). Se algum atleta se sentir desse jeito, é claro que ele pode decidir não ir”, revelou. De acordo com o USOC, o vírus da zika pode ser uma ameaça aos atletas e que seu pessoal poderia enfrentar uma decisão difícil sobre a participação ou não nas competições no Rio. “Eu acho que os nossos atletas estão conscientes. Mas a situação não ficou crítica. Ainda não”, disse Anthony.

Segundo reportagem do jornal New York Times, o time feminino de futebol dos EUA teriam mais preocupações do que as demais delegações, já que partidas serão realizadas fora do Rio. “A segurança das nossas atletas e da nossa equipe é sempre a nossa maior prioridade, e nós estamos tomando todas as precauções no que diz respeito ao vírus zika”, disse o médico George Chiampas, chefe-médico do time dos EUA. Há o temor de que pedir para não vir ao Rio signifique fechar as portas para futuras convocações.

Um eventual boicote dos EUA poderia ser preocupante não só pelo quadro de medalhas – em Londres há quatro anos, os norte-americanos levaram 104 medalhas (46 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze) –, mas também pelo impacto que poderia ter sobre outras delegações mundo afora.

Rio 2016 minimiza problema

Do outro lado, o Comitê Organizador Rio 2016 garantiu no dia 2 de fevereiro que não há qualquer preocupação de que o zika possa afetar os Jogos. Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter emitido um alerta de emergência internacional em relação a microcefalia e outras doenças em áreas com presença do vírus, o comitê explicou que não existe restrição para a vinda de atletas ou turistas – a venda de ingressos não sofreu alterações.

As autoridades do Rio insistem que os meses de agosto e setembro são os de menor incidência de mosquitos na cidade, sobretudo nas regiões da Barra da Tijuca e em Jacarepaguá, que concentrarão a maioria das disputas olímpicas. Baseado nas informações da organização, o presidente do COI, Thomas Bach, disse confiar na capacidade do Brasil em tomar todas as providências para a realização das Olimpíadas.

O aspecto discutido pelos atletas também pode influir no turismo. Segundo pesquisa da Reuters e do Ipsos, 41% das pessoas esclarecidas sobre a epidemia afirmaram ser menos provável que acabem viajando para países da América Latina e do Caribe. Além disso, seis de cada 10 norte-americanos se disseram “preocupados” com o zika.

O zika já foi registrado em 33 países, a maioria deles no continente americano. Só no Brasil há a suspeita de mais de 4 mil casos de microcefalia que estariam relacionados ao vírus.

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