MULHERES

Universitária denuncia assédio e agressão em bar da Vila Madalena

05/02/2016 20:41 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Shutterstock / imageegami

Mesa de bar, véspera de Carnaval, cerveja gelada e a conversa em dia.

Poderia ser um programa perfeito para qualquer pessoa, a não ser que você seja mulher e tenha que lidar todos os dias com situações misóginas.

As festas mal começaram, e as denúncias sobre abusos já tomam conta das redes sociais. No Facebook, uma jovem postou um relato narrando a violência sofrida em um dos principais bares da capital paulista: o Quitandinha, na Vila Madalena.

A universitária Júlia Velo estava com amigos curtindo a noite da quinta-feira (4), até que os meninos resolveram fumar.

A jovem continuou na mesa com mais uma amiga até que dois homens desconhecidos se sentiram no direito de invadir a mesa das garotas, afinal, cadeira vazia e mulher sozinha só pode ser um convite, não é mesmo? Só que não.

As jovens não demonstraram interesse na conversa da dupla, e isso foi o suficiente para serem xingadas de termos violentos — um deles chegou a apertar o braço de Júlia com força o suficiente para deixar marcas.

Assustadas com a situação, as jovens pediram ajuda aos garçons e aos gerentes, que ignoraram a situação e declararam que nada poderia ser feito se não houvesse agressão física.

O gerente deixou claro que os agressores eram clientes e frequentadores assíduos da casa e que, se quisessem, elas deveriam recorrer à polícia. Procurados pela reportagem, o Quitandinha Bar não respondeu às ligações.

O Carnaval começou com uma dose cavalar de silenciamento. Senta que lá vem textão. Ontem à noite, eu e meus amigos...

Publicado por Júlia Velo em Sexta, 5 de fevereiro de 2016


Em entrevista ao HuffPost Brasil, Júlia comentou sua angústia: "Obviamente eu estava em pânico e a ideia de ficar no mesmo ambiente que eles me desmotivou. Fiquei calada, pedi ajuda, mas o policial disse que não podia fazer mais nada”.

É comum as pessoas questionarem a execução do boletim de ocorrência em casos como o dela, mas nem sempre o estado emocional da vítima ou o contexto do assédio permitem que o BO seja feito na hora.

Infelizmente, esse relato é outro que se soma ao de tantas mulheres vítimas de violência simbólica e física diariamente.

A diferença é que hoje há muito esforço para que situações como essas não passem batidas e que a sociedade repense questões tão naturalizadas.

Neste Carnaval e em qualquer outro momento, respeita as mina.

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