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Fiocruz encontra zika vírus com potencial de infecção em saliva e urina

05/02/2016 12:19 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Mario Tama via Getty Images
RECIFE, BRAZIL - JANUARY 31: Alice Vitoria Gomes Bezerra, 3-months-old, who has microcephaly, is held by her mother Nadja Cristina Gomes Bezerra sits on January 31, 2016 in Recife, Brazil. In the last four months, authorities have recorded close to 4,000 cases in Brazil in which the mosquito-borne Zika virus may have led to microcephaly in infants. The ailment results in an abnormally small head in newborns and is associated with various disorders including decreased brain development. According to the World Health Organization (WHO), the Zika virus outbreak is likely to spread throughout nearly all the Americas. (Photo by Mario Tama/Getty Images)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, divulgou nesta sexta-feira (5) um estudo que constatou a presença do zika vírus, com potencial de provocar a infecção, em amostras de saliva e urina.

O estudo aponta que, além do vírus estar presente tanto em urina quanto em saliva, ele continua ativo e, portanto, tem potencial de provocar a infecção, "o que abre novos paradigmas para o entendimento das rotas de transmissão do vírus", segundo a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório.

A evidência inédita sugere a necessidade de investigar a relevância das vias alternativas de transmissão do zika vírus.

Foram analisadas amostras referentes a dois pacientes infectados pelo vírus. Os cientistas observaram que o material coletado nestas amostras, além de conter o vírus, foi capaz de provocar danos em células em testes de laboratórios, o que comprova a atividade viral, de acordo com o estudo.

“Estamos lidando com dados muito recentes e, a cada momento, novas evidências são obtidas e compartilhadas pela comunidade científica, como acabamos de fazer”, afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha. Segundo ele, dada a constatação da presença do vírus ativo em urina e saliva, e a comprovação do potencial de transmissão por estas vias, é necessário mais investigações sobre as potenciais vias para a transmissão viral:

“A primeira medida é sempre a da cautela. O que sabemos hoje é que o vírus Zika costuma apresentar quadro clínico brando, com maior preocupação em relação às gestantes por conta dos casos de microcefalia que têm sido acompanhados. Neste sentido, medidas de prevenção já conhecidas para outras doenças precisam de um olhar mais cauteloso a partir de agora, especialmente no caso do contato com as gestantes. Estamos empenhados em gerar evidências sobre o vírus Zika e vamos compartilhar estas evidências conforme avançarmos no conhecimento sobre o tema."

O presidente pondera, no entanto, que o fato de haver um vírus ativo com capacidade de infecção na urina e na saliva não está comprovada, ainda, a possibilidade de infecção de outras pessoas através destes fluídos, de acordo com o site G1.

Por fim, a Fiocruz alerta que as medidas de controle do Aedes aegypti ainda são as principais ações de combate ao vírus. “É fundamental que a vigilância ao vetor permaneça. Não podemos esquecer que ele é comprovadamente o vetor para os vírus dengue, chikungunya e Zika”, reforçou o presidente da entidade.

microcefalia no brasil

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