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05/02/2016 10:14 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Brasil e outros países prometem bilhões de dólares para sírios, enquanto milhares fogem de bombardeios

Anadolu Agency via Getty Images
ALEPPO, SYRIA - JANUARY 21: Man carries his child on the street in cloud of dust after the Russian airstrikes targeted opposition controlled residential areas at Bustan El Kasr neighborhood of Aleppo, Syria on January 21, 2016. (Photo by Mustafa Sultan/Anadolu Agency/Getty Images)

Países doadores prometeram na última quinta-feira dar US$ 11 bilhões em ajuda aos sírios até 2020, numa tentativa de líderes mundiais de lidar com a pior crise humanitária global, ao mesmo tempo que a Turquia relatou um novo êxodo de dezenas de milhares que fogem de ataques aéreos.

O governo brasileiro anunciou a doação de US$ 1,3 milhão para ações de assistência aos atingidos pelo conflito na Síria. O dinheiro será enviado por meio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em uma conferência internacional em Londres para discutir a ajuda humanitária à Síria.

Na mesma reunião, a Alemanha anunciou o repasse de US$ 2,5 bilhões para a causa; o Reino Unido, US$ 1,75 bilhão; e os Estados Unidos, US$ 890 milhões.

Além da doação financeira, o Brasil pretende colaborar com 4,5 mil toneladas de arroz, o equivalente a US$ 1,85 milhão. A logística dessa doação ainda está em estudo e depende de um país-parceiro que auxilie o transporte.

De acordo com o Itamaraty, o dinheiro da doação provém de órgãos brasileiros como a Secretaria Nacional de Justiça e a Coordenação-Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Ministério das Relações Exteriores. Já o arroz será fornecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura.

A Conferência Internacional de Apoio à Síria e Região foi organizada pela Alemanha, Noruega e Kuwait, além do Reino Unido, e teve o apoio da Organização das Nações Unidas. O principal objetivo do evento é angariar recursos emergenciais para a população síria que mora no país e os refugiados que estão acolhidos na região.

Durante discurso em que anunciou o valor da doação brasileira, Vieira ressaltou a necessidade de uma solução política e não militar para a crise síria. Segundo o ministro, é preciso lutar contra o terrorismo, aliviar os sofrimentos da guerra, manter a Síria unida e reconstruí-la como nação.

O chanceler brasileiro destacou que não basta apenas auxiliar os que sofrem com o conflito, mas é preciso conceder abrigo aos refugiados. Vieira também citou as políticas humanitárias do Brasil que já permitiram o acolhimento de mais de dois mil sírios desde 2013.

Crise dos refugiados

Com a guerra civil de cinco anos ocorrendo de forma intensa e com a suspensão após apenas poucos dias de um novo esforço para negociações de paz em Genebra, a conferência de doadores em Londres buscou lidar com as necessidades de cerca de seis milhões de pessoas desabrigadas dentro da Síria e de mais de quatro milhões de refugiados em outros países.

Destacando a situação desesperadora na Síria, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, disse durante a reunião que até 70 mil sírios estavam se movendo em direção à Turquia para escapar dos bombardeios aéreos à cidade de Aleppo.

Davutoglu acusou as forças do presidente da Síria, Bashar al-Assad, apoiadas por combatentes estrangeiros e pelas ações aéreas russas, de tentarem fazer em Aleppo o mesmo que fizeram no cerco à cidade de Madaya, onde dezenas acabaram morrendo de fome.

"O que eles querem fazer em Aleppo hoje é exatamente o que eles fizeram em Madaya antes, um cerco de fome”, declarou ele à imprensa no final do evento.

A Turquia já abriga mais de 2,5 milhões de refugiados sírios. Jordânia e Líbano são os outros principais destinos dos refugiados sírios.

(Com informações da Agência Brasil e Reuters)

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