COMPORTAMENTO

8 livros que mandam a real sobre a sexualidade dos adolescentes

05/02/2016 21:08 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

livros

Numa edição recente do podcast Love + Sex do HuffPost, os apresentadores Noah Michelson e Carina Kolodny falaram do número cada vez maior de adolescentes que procuram educação sexual na literatura.

Não é chega a ser uma tendência surpreendente, especialmente quando se considera que só 22 estados americanos exigem o ensino de educação sexual, e alguns distritos promovem a abstinência.

É claro que não é responsabilidade dos romancistas educar os adolescentes sobre proteção, DSTs e outras questões importantes. Mas uma história bem contada da perspectiva de um adolescente pode mostrar como é o sexo quando ele é bom e quando ele não é tão bom. Os livros lembram os jovens que o sexo é parte da vida e deve ser celebrado.

É por isso que poucos escritores de romances para jovens adultos lidam com o tema do sexo – os romances moralistas e agradáveis de John Green tocam no assunto por cima. É claro que há livros de fantasia com personagens sexualmente ativos. Mas, sinceramente, Crepúsculo faz o sexo parecer um sinal do fim dos tempos.

Por sorte, a maré está mudando, tanto no gênero jovem adulto como fora dele. Escritores como David Leviathan lembram os jovens leitores que gênero é um constructo social; autores como Danielle Evans dão voz a jovens negras que experimentam o sexo pela primeira vez.

Selecionamos alguns dos nossos livros favoritos que têm o sexo como tema. Cada um deles traz algo diferente para o cânone das vozes jovens, mas eles têm em comum o fato de não tratar o leitor como criança.

The End of Everything, de Megan Abbot

Abbott se especializou em escrever sobre a adolescência como uma experiência estranha e surreal demais para ser descrita de maneira direta, quanto mais idealizada. Mas ela não lança mão de vampiros ou lobisomens como metáforas da estranheza da exploração sexual. Seu romance mais recente, A Febre, é baseado na história real de uma cidade cheia de jovens acometidas por convulsões.

Mas um livro anterior dela explora de maneira mais sutil a experiência corporal do crescimento. Em The End of Everything ("o fim de tudo", em tradução livre), duas amigas inseparáveis são separadas quando uma delas desaparece misteriosamente. Em busca da amiga, Lizzie descobre como a atenção sexual pode ser recompensadora – e perigosa.

Ugly Girls, de Lindsay Hunter

O primeiro livro de Hunter reproduz perfeitamente a sobrecarga sensorial e emocional que é a adolescência nos dias de hoje. Perry e Baby Girl são amigas e rivais ao mesmo tempo. Ambas são bem diferentes, com exceção do interesse comum em causar confusão – pequenos furtos são um dos passatempos prediletos delas.

Mas, quando ambas começam a flertar com um amigo de Facebook misterioso, as atenções se voltam para suas abordagens diferentes em relação ao sexo. O resultado é um exame profundo da amizade feminina e da luta das mulheres para se sentirem válidas na sociedade.

Leia nossa resenha de Ugly Girls.


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Trecho do livro Ugly Girls



Sloppy Firsts, de Megan McCafferty

O primeiro livro de McCafferty lançou uma série que fala do relacionamento conturbado entre a heroína Jessica Darling e o objeto da obsessão dela, Marcus Flutie. Marcus é o proto-maníaco dos sonhos, pois não é maior que a soma de suas idiossincrasias. Que, se você pensar bem, é uma maneira perfeita de caracterizar a primeira paixão.

Mais importante: a história de McCafferty faz parte de uma coleção infelizmente pequena de livros que tratam de meninas governadas pelo impulso sexual – Jess pode meditar sobre suas músicas favoritas dos anos 1980 ou sua péssima escolha de amigos, mas acima de tudo ela pensa em transar, tirando o estigma do assunto para as meninas.

Ouça nosso podcast com McCafferty.

Bright Lines, de Tanwi Nandini Islam

O romance de estreia de Islam tem um elenco diverso – uma menina de Bangladesh que se sente mais em casa na natureza que entre as outras pessoas, a prima borbulhante dela e sua amiga que fugiu de casa. Cada uma das meninas tem segredos reprimidos e lida de maneira diferente com o despertar sexual. Ella, a protagonista, está traumatizada com a morte dos pais, e ela lida com isso por meio de explorações com outra menina.

O livro vai além das jornadas emocionais: ele se passa no Brooklyn e em Bangladesh, onde a família investiga seu passado distante e nem tão distante assim.


before you

Trecho do livro Before You Suffocate Your Own Fool Self



Before You Suffocate Your Own Fool Self, de Danielle Evans

Apesar de a maioria de seus narradores serem adolescentes, a estreia de Evans, uma coleção de contos, não entra na categoria jovens adultos. Há uma distinção crítica a fazer aqui: as histórias são enérgicas e se encaixam melhor no gênero de ficção literária, pelo menos do ponto de vista do marketing. Em “Virgins”, a primeira história do livro e também a mais forte, um par de amigas pouco similares e inseparáveis se ajuda no campo de batalha da transição para a vida adulta.

Em busca de caras na balada, elas vivem personagens, e o narrador observa sabiamente: “Era fácil ser outra pessoa quando ninguém se importava com quem você realmente era”. Cada história parece saída do diário do que é ser jovem e negra nos Estados Unidos.

Another Day, David Levithan

Depois de One Day, um livro sobre um narrador que acorda cada dia num corpo diferente, Levithan conta a história de Rhiannon, interesse romântico de A, uma pessoa que troca de corpos. Não é o único livro em que Levithan se afasta de clichês heteronormativos, mas pode ser sua obra mais ousada. “Queria fazer as perguntas relevantes para o gênero – o quanto ele é construído e o quanto é inerente”, disse Levithan em entrevista ao Huffington Post.

The Mare, de Mary Gaitskill

À moda de Faulkner, o novo romance de Gaitskill é narrado por vários personagens, incluindo uma mulher que lida com a morte de pessoas queridas, seu marido e a pré-adolescente que eles decidem patrocinar, primeiro numa breve viagem de férias e depois oferecendo apoio emocional pelo telefone e em visitas subsequentes. A menina, Velvet, é uma estudante da República Dominicana que está na puberdade e aprende com seus amigos mais velhos como a atenção masculina pode ser excitante. Isso a afasta dos estudos – e, no fim das contas, lhe ensina o valor da independência.

Leia nossa resenha de The Mare.


diary

Trecho do livro The Diary of a Teenage Girl



The Diary of a Teenage Girl, de Phoebe Gloeckner

Talvez você saiba que o elogiado filme deste ano sobre o despertar sexual da artista Minnie é baseado numa graphic novel. Se você viu o filme, provavelmente também sabe que a aparência sinistra e doce da atriz Bel Powley resume a maneira como sexualizamos a juventude e como as mulheres jovens e poderosas reagem a essa sexualização. Powley e a diretora Marielle Heller trazem esses temas à vida, mas na história original de Gloeckner há muito mais detalhes sobre a confusão e o isolamento de Minnie. Vale a leitura, mesmo que tenha você curtido o filme ou não.


Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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