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Uber x táxi: Polícia apreende facas, canivetes e barra de ferro em operação para 'apaziguar os ânimos' em SP

04/02/2016 11:57 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Chello Fotógrafo/SSP

Pelo menos quatro taxistas foram presos pela Polícia Civil de São Paulo na noite desta quarta-feira (3). Com eles foram encontradas facas, canivetes, pedaços de madeira e até uma barra de ferro, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP). A ação policial faz parte de um esforço para investigar os recentes conflitos entre taxistas e motoristas do Uber na cidade.

A operação aconteceu em mais de um ponto da capital paulista e foi acompanhada pelo secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. “O objetivo é garantir a segurança dos taxistas, motoristas do Uber e dos passageiros até que o serviço do Uber seja regularizado adequadamente”, disse ele, adiantando ainda que ações semelhantes seguirão durante o Carnaval.

“É garantir que não haja baderna entre eles (taxistas e motoristas do Uber). Garantir que haja tranquilidade para a população e para os turistas que vêm para a cidade durante o Carnaval”, completou Moraes, em declarações reproduzidas pelo jornal Folha de S. Paulo.

Os taxistas detidos com as armas brancas e demais itens assinaram termos circunstanciados e foram liberados. Durante a operação, dois passageiros de um táxi foram presos por furto, já que carregavam um mochila que continha uma carteira e documentos furtados horas antes.

De acordo com o secretário de Segurança, há dois inquéritos policiais em andamento. Um deles trata do suposto delito de incitação à pratica de crime exercida pelo presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores de Empresas de Táxi de São Paulo (Sintetaxis), Antônio Matias, conhecido como Ceará, que foi intimado para prestar depoimento. No último dia 28, ele disse em um vídeo que a categoria resolveria a questão “no cacete”.

Os ânimos estão acalorados com a nova declaração do prefeito Fernando Haddad, a Simtetaxi mostrou repúdio e o presidente Antônio Matias mandou seu recado...

Publicado por Táxi em São Paulo em Quinta, 28 de janeiro de 2016


O outro inquérito apura as agressões e danos sofridos por 11 motoristas do Uber e investiga a agressão sofrida por um fotógrafo que trabalhava em uma festa na última quinta-feira (28). A polícia está fazendo a identificação dos envolvidos nas agressões aos donos dos veículos do Uber e eles serão chamados a prestar esclarecimentos no 15º Distrito Policial.

‘Declaração de guerra’ será investigada

Alexandre de Moraes afirmou que a polícia vai analisar os áudios atribuídos a taxistas, publicados pela Folha e que apontam uma ‘declaração de guerra’ aos motoristas do Uber. Em um deles, compartilhados pelo WhatsApp, os homens que seriam taxistas pregam a necessidade de ‘colocar fogo’ em todo e qualquer veículo preto que seja avistado por eles.

“A gente tem que se reunir mesmo e colocar fogo em cada carro preto que a gente vir na rua. Aí eles vão botar fé na gente. F*- se é Uber ou não é. Por mim eu já começava a botar fogo agora. Viu o carro preto parado? Bota fogo. Vamos ver se rapidinho eles não dão um jeito”, disse um dos supostos taxistas.

Outro responde: “Rapaziada, como sou mais um frotista estou pouco me lixando. Vamos para cima botar fogo. Vamos lutar pelos nossos ideais e que se f. político e polícia. Se a gente não lutar vamos perder espaço e perder tudo”.

“Conversa com o Ceará e o Satanás que for. A guerra para o País ser liberto não morreu gente e derramou sangue? Para gente ser liberto dessa maldita empresa (Uber) a gente derruba sangue. Morre alguém vem um outro e assume. Ninguém quer ser herói morto, mas vamos brigar por nossas famílias e nossos direitos. Vamos quebrar”, comentou um outro taxista de frota, pedindo para os colegas entrarem em contato com o presidente do sindicato.

Segundo o secretário de Segurança, ainda não é possível afirmar categoricamente que os diálogos envolvam taxistas. “Precisamos ver a veracidade deles (dos áudios). Se não foram feitos para prejudicar uma categoria”, comentou.

Em nota, o Sintetaxis sugeriu que os áudios foram ‘plantados’ para incriminar a categoria e que o sindicato repudia qualquer ação violenta. “O presidente Antônio Matias e nenhum diretor, até o momento foram procurados por taxistas sobre este tipo de ação. E se procurados, não vão apoiar o movimento que vai na contramão da luta pelo respeito à lei municipal que proíbe o uso do transporte clandestino”.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Matias reforçou o posicionamento, falando inclusive da investigação em andamento contra ele. “Eu não incentivei o crime. Foi uma mensagem para o prefeito Fernando Haddad. Nós queremos mais polícia, mais fiscalização. Somos contra a violência”, disse.

Haddad condena violência

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), condenou os ataques e agressões cometidos por taxistas contra motoristas da Uber e afirmou que as ações não são representativas da categoria. Segundo o prefeito, "violência restringe o debate", além de ser "antidemocrática".

"A categoria entende que a municipalidade está buscando uma alternativa que respeite o trabalho deles, mas abra espaço para regulação. Estamos tentando construir, fazendo isso em diálogo com eles e com a sociedade. Não estamos impondo. Está havendo diálogo amplo", explicou.

"Estamos no meio de uma discussão regulatória. É disso que estamos tratando agora. A hora em que chegarmos a uma conclusão de qual é o melhor modelo regulatório, você vai ter o sistema de garantias para todo mundo trabalhar em paz", disse. "Mas antes disso o debate está aberto. Você vai interditar o debate com violência no momento em que esta sendo discutido?", emendou.

Ainda no âmbito da prefeitura, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que a gestão não poderá mais apreender os veículos que prestam serviço para a empresa norte-americana. Tatto afirmou também que "não tem sentido" manter os veículos da Uber já apreendidos nos últimos meses pelo Departamento de Transportes Públicos (DTP), órgão de fiscalização da Prefeitura.

Segundo o secretário, a Prefeitura vai checar se, juridicamente, é permitido liberar os carros já recolhidos antes da decisão judicial. "Me parece razoável que sim (pode liberar), mas preciso ver juridicamente se já pode eventualmente liberar esses veículos porque tem um processo administrativo. Quando ele (motorista) cometeu esse ato, era irregular", afirmou. "Mas não tem sentido você manter esses veículos presos em função de que a Justiça liberou para que eles possam trabalhar”.

Histórico de violência

Os ataques de taxistas contra motoristas da Uber acontecem desde o ano passado. No dia 10 de agosto, por exemplo, um grupo armou uma emboscada, solicitando o serviço por aplicativo. Quando o automóvel chegou no local, diversos taxistas o esperavam. O motorista de 22 anos foi feito refém dentro de um carro, foi espancado e teve seu veículo depredado.

Em 30 de novembro, foi a vez de dois passageiros do aplicativo serem agredidos, na Rua Voluntários da Pátria, em Santana, na zona norte da capital. Um das vítimas ficou ferida na cabeça após um golpe com uma chave de roda.

No dia 5 de janeiro, cinco taxistas armados de barra de ferro depredaram o carro de Rafael Rodrigues Quessada, de 22 anos, que era ex-taxistas e tinha entrado há pouco tempo na Uber. Ele blindou o carro após o ataque.

(Com Estadão Conteúdo)

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