ENTRETENIMENTO

'O Mundo de Tim Burton', exposição macabra do diretor no MIS, vai fazer os olhos dos fãs brilharem

04/02/2016 20:06 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

exposição tim burton

Boneco do Garoto Balão tem 6 metros de altura; personagem adorável parece ter sido vítima de experimentos científicos horrendos

Durante a infância e a adolescência, Tim Burton viveu na cidade californiana de Burbank, de onde podia ver as costas do famoso letreiro branco de Hollywood. Do ponto de vista dele, as letras apareciam ao contrário.

Esta curiosidade diz bastante a respeito do cineasta. Burton sempre vê as coisas pelo lado "contrário" delas: o sombrio, o esquisito, o marginal.

Este olhar fica claro na exposição O Mundo de Tim Burton, cujo período de exibição começa nesta quinta-feira (4), no Museu da Imagem do Som (MIS) em São Paulo.

Após estudar no California Institute of the Arts, o diretor arranjou um emprego no departamento de animação da Disney, de onde foi demitido alguns anos mais tarde por ter feito o curta-metragem Frankenweenie (1984) – com a hoje diretora Sofia Coppola no elenco –, considerado pelo estúdio assustador demais para crianças.

Dizem por aí que, quando uma porta fecha, outra se abre – e talvez tenha acontecido isso com Burton. Após ser demitido, sua carreira deslanchou e ele pôde fazer seu primeira longa-metragem, o hilário (e um pouco perturbador) As Grandes Aventuras de Pee-wee (1985).

Vinte e nove anos e 15 filmes depois, chegou aos cinemas o drama independente Grandes Olhos, o filme mais recente do diretor.

A exposição do MIS, feita com acompanhamento do próprio Burton, embora à distância e por intermédio de sua equipe, consegue recuperar, por meio de diversas linguagens, a jornada artística do rapaz que via "Hollywood" escrito ao contrário, até se tornar o diretor maduro que conta, com sutilezas, a história baseada em fatos de Grandes Olhos.

"A palavra 'normal' sempre me assusta."

Com concepção e adaptação feitas por André Sturm, diretor executivo do museu, a exposição, para alegria dos fãs do diretor, não é convencional. Além da contemplação, há interação – você pode descer por um escorregador para ter acesso a uma sala.

O visitante inicia a jornada no universo macabro do artista entrando pela boca de um de seus personagens. Em seguida, no cérebro, pôsteres e telas mostram as influências de Burton: o pintor pós-impressionista Vincent van Gogh (1853-1890), o sombrio escritor Edgar Allan Poe (1809-1849), filmes B de terror e ficção científica, como A Noiva do Monstro (1954) e O Monstro de Mil Olhos (1959), e é claro, o protagonista de muitos deles, Vincent Price (1911-1993).

A partir daí, sete ambientes conceituais abrigam a curadoria: terror/humor, felicidade, polaroides, angústia/melancolia, encantamento, projetos não realizados e filmografia. Cada um representa estados de espírito do artista ou se dedica a um recorte de sua produção. Esta ideia é do MIS.

Exposição adentro, você encontra desenhos, ilustrações, fotografias, pinturas, esculturas feitas com resina, aço e silicone, anotações de ideias com a letra do diretor e esboços de muitos personagens e cenários que se consolidaram como marca registrada dele no cinema. Dezenas desses rascunhos estão em guardanapos, como se tivessem sido feitos em impulsos de criatividade. São aproximadamente 500 itens do inventário particular de Burton.

Há um bilhete manuscrito para Johnny Depp, protagonista de A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005), em que o diretor comenta a ideia que ele teve para uma cena. E, no caso, é aquela que marca a memória de muita gente que viu o filme: quando o esquisitão Willy Wonka (Depp), diz para Charlie que "tudo é comestível nesta sala, até eu sou comestível, mas o nome disso é canibalismo, e é desaprovado pela maior parte das sociedades".

Este tipo material faz da exposição uma oportunidade sem igual para fãs conhecerem mais sobre Burton, assim como, para amantes do cinema, vale para conhecer os diversos processos e linguagens pelos quais histórias podem passar antes se tornarem filme.

Os curtas feitos no início da carreira, como o clássico Doctor of Doom (1979) e Vincent (1982), estão lá. O primeiro tem participação de Brad Bird, diretor de Os Incríveis (2004).

Ambos os videoclipes dirigidos para a banda The Killers também: Here with Me (2012) e Bones (2006).

Todos estão disponíveis para serem vistos nas curiosas telas brancas que só mostram seu conteúdo quando você coloca diante delas uma peça de acrílico plano, em que está a película da TV.

Jack Skellington, protagonista do espetáculo gótico O Estranho Mundo de Jack

Artes de cada filme de Burton estão lá, inclusive daquele que não é dirigido por ele, mas com certeza é um de seus mais queridos e populares, O Estranho Mundo de Jack (1993), no qual ele é produtor e criador de personagens e história. Inclusive, há registros dos bastidores de Fábrica de Chocolate e Peixe Grande (2003) em telas touchscreen. Infelizmente, não há material de Grandes Olhos. A curadoria foi concluída antes do filme.

Uma sala com assentos antiquados e sinistros exibem os curtas de Stain Boy ("garoto mancha"), feitos especificamente para a internet em 2000. Sim, Tim Burton é pioneiro no conteúdo original para meios digitais.

Distantes da normalidade, os personagens do autor sempre são melancólicos e tem fortes traços de surrealismo. Eles desafiam as proporções de corpo e nosso entendimento de espaço, ao mesmo tempo em que parecem ter uma existência tão natural, com um quê de ingênuo e patético.

A solidão do garoto que se sentia à margem do normal em Burbank se transformou em uma arte na qual podemos ver reflexos dos aspectos mais sombrios de nossa individualidade.

Abaixo, algumas provas disso:

  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som
  • Letícia Godoy/Museu da Imagem e do Som


O Mundo de Tim Burton fica em exibição das 10h às 20h, da terça a sexta-feira; das 9h às 21h, aos sábados; e das 11h às 19h aos domingos e feriados.

Às terças, a entrada é gratuita, com senha a ser retirada na bilheteria. Conheça os preços dos ingressos aqui.

A exposição fica instalada até 15 de maio. O Museu da Imagem e do Som se localiza na Av. Europa, 158, Jardim Europa, em São Paulo. Telefone: (11) 2117-4777. Site: www.mis-sp.org.br.

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