COMPORTAMENTO

Corrupção é prática que apenas três em 100 pessoas admitem adotar no Brasil (PESQUISA)

04/02/2016 13:19 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Lula Marques/Fotos Públicas

Operação Lava Jato. Máfia da Merenda. Denúncia contra Neymar. Independente se ser um tema de âmbito federal, específico de São Paulo ou envolvendo um craque do futebol mundial, a corrupção não parece fazer distinções para se fazer presente. A impressão de que ela está em todo lugar, porém, não acontece ao acaso, como mostra uma pesquisa do Instituto Data Popular.

O levantamento ouviu 3,5 mil pessoas, com o foco voltado às microcorrupções diárias. Os resultados, publicados pela colunista Sonia Racy, do jornal O Estado de S. Paulo, mostram que apenas 3% dos brasileiros se assumem como corruptos. Outros 70% não chegam a tanto, mas admitem que, pelo menos uma vez na vida, tiveram alguma ‘atitude corrupta’.

O número é quase o mesmo (67%) quando se questiona a respeito de quem compra produtos piratas no País.

Mas nada é mais curioso do que a quantidade de pessoas que não admitem determinada atitude corrupta, mas admitem conhecer alguém que a cometeu. Quer um exemplo? Deixar de devolver a diferença na hora do troco foi admitida por 21%, ao passo que outros 46% juram que nunca tiveram essa atitude, embora conheçam alguém que já o fez no País.

Pagar propina a um policial ou agente de fiscalização só foi admitida por 7%, contra os 19% que garantem conhecer alguém que subornou um servidor público.

Crimes contra o Fisco só foram admitidos por 1%, ante os 15% que não escondem conhecer alguém que lance mão de ‘malandragens’ para ocultar gastos e patrimônio, a fim de não pagar tributos à Receita Federal.

A noção que os números apresentam – “o corrupto é sempre o outro, não eu” – mostra um outro lado do brasileiro, de acordo com o presidente do Data Popular, Renato Meirelles. “(O brasileiro) se acha isento nas pequenas corrupções de que se beneficia e critica as grandes, nas quais se acha lesado”, comentou.

Ao jornal, Meirelles avaliou ainda que essa realidade, endêmica e enraizada na sociedade brasileira, só vai mudar quando se buscar o investimento naquilo que pode mudar culturalmente problemas sociais: a educação.

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