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Servidores da Funai teme escalada da violência após ataque contra índios no interior do MS

03/02/2016 12:54 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Divulgação/Cimi MS

Funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) temem que ocorra nos próximos dias uma escalada da violência em Coronel Sapucaia (MS), município localizado a 420 km de Campo Grande, na fronteira com o Paraguai. Um ataque no último domingo (31) ao acampamento indígena Kurussu Ambá, da tribo Guarani-Kaiowá, acirrou os ânimos na área. A situação é semelhante à noticiada em Juti (MS).

Aproximadamente 30 famílias indígenas foram retiradas do local, onde hoje há uma fazenda. De acordo com o coordenador regional da Funai de Ponta Porã, Elder Ribas, as casas ocupadas pelos índios foram todas queimadas. A assessoria do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que a ação teria partido de pistoleiros, a mando dos fazendeiros da região.

“Os 90 indígenas, entre eles 30 crianças, foram acomodadas em acampamento que fica na fazenda Barra Bonita”, afirmou Ribas ao G1. Ele ainda afirmou que, embora chamada, a polícia não apareceu para conter os incidentes de violência.

“Um grupo de indígenas ouviu os pistoleiros dizerem que iriam aguardar a Funai sair do local pra atacar a (fazenda) Barra Bonita também. Por isso nós permanecemos (na área de conflito), aguardando que a PF (Polícia Federal) ou a Força Nacional venham pra área”, explicou ao Cimi o servidor da Funai Jorge Pereira.

“Nós chegamos e vimos as casas sendo queimadas, pessoas correndo, gritando. A gente tá ligando desesperadamente pras autoridades. A gente tem medo de sair daqui e a coisa piorar. Eles vão atacar. Os indígenas nos mostraram as cápsulas de balas. A gente vê o movimento de caminhonetes, cavalos”, emendou Pereira.

Segundo informações do site Campo Grande News, pistoleiros chegaram em pelo menos três caminhonetes no último domingo e expulsaram os índios a tiros, destruindo todas as moradias da tribo na área. Em nota, o Cimi criticou a ausência da polícia e de autoridades na região, a fim de mediar o conflito e evitar episódios de violência.

“É inadmissível o descaso das forças de segurança, que até o momento sequer estiveram no local para garantir a mínima integridade dos indígenas e impedir que novos ataques ocorram. Num jogo de empurra-empurra entre Policia Militar (PM), Policia Federal (PF), Departamento de Operação de Fronteira (DOF) e Força Nacional (FN), nenhuma tomou qualquer tipo de providência desde que os ataques iniciaram e foram notificados. Servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) encontram-se neste momento no local e também estão desprovidos de qualquer apoio.

Segundo eles, novos ataques contra os indígenas de Kurusu Ambá são iminentes. Indígenas tentaram retomar o acampamento que foi incendiado, porém jagunços e servidores da fazenda se encontram no local e o clima é de alta tensão. Caminhonetes já se movimentam e ameaças de morte já foram novamente proferidas contra as lideranças indígenas.

Lamentavelmente, enquanto novos crimes e atentados premeditados podem estar prestes a ocorrer, as forças policiais, o Ministério da Justiça e o governo do estado do Mato Grosso do Sul assistem a tudo calados, garantindo assim aos jagunços porteira aberta para a possibilidade de novos assassinatos, em uma terra onde nos últimos sete anos foram executadas mais de 10 lideranças do povo Guarani e Kaiowá”.

A fazenda atacada no dia 31 de janeiro é a mesma ocupada pelos índios em junho de 2015. Naquela ocasião, fazendeiros expulsaram os indígenas com violência, com um saldo de duas crianças desaparecidas e vários feridos. Na mesma área, duas lideranças dos índios foram assassinadas em 2007.

Como outras áreas no Mato Grosso do Sul e em outros Estados brasileiros, a demarcação já chegou a ser homologada, mas disputas jurídicas ou a falta de decreto presidencial não tiram o acesso dos índios às terras do papel. Com a alegação de dar ‘agilidade’ ao processo, a Bancada Ruralista articular a PEC 215/2000, que quer tirar da Presidência da República e dar ao Congresso a decisão sobre demarcações de terra no País.

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