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Defensor dos taxistas, vereador Adilson Amadeu é citado por esquema de propina da Máfia do ISS em São Paulo

02/02/2016 10:45 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução Facebook

Autor do projeto de lei que pediu a proibição do Uber na cidade de São Paulo, o vereador Adilson Amadeu (PTB) foi citado em depoimento ao Ministério Público (MP-SP) como um dos recebedores de R$ 5 milhões pagos pelo ex-subsecretário de Arrecadação de São Paulo, Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como chefe de um esquema de cobranças de propina durante a gestão Gilberto Kassab (PSD).

Outro mencionado, segundo informações da Agência Estado, foi vereador Aurélio Miguel (PR). O auditor fiscal Eduardo Horle Barcellos, que fez parte do esquema, conhecido como a Máfia do Imposto Sobre Serviços (ISS), relatou aos promotores do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) do MP-SP que, seguindo ordens de Ronilson, fez um dos pagamentos a Adilson Amadeu.

“Em meados de 2012, Ronilson pediu que o declarante (Barcellos) entregasse um envelope parto cheio de dinheiro para Adilson Amadeu”, diz trecho da delação premiada. O texto afirma que o pagamento ocorreu na frente de uma cafeteria localizada ao lado da Prefeitura de SP, na Rua Líbero Badaró, centro da cidade. “O declarante chegou a questionar Ronilson do porque daquela entrega. Ronilson não respondeu e simplesmente determinou que o declarante cumprisse aquela ordem”, afirma o texto.

Amadeu vem sendo figura ativa na luta dos taxistas contra o Uber na capital paulista. Na semana passada, o vereador do PTB chegou a chamar o prefeito Fernando Haddad de “doente mental”, caso tentasse regulamentar o aplicativo de caronas remuneradas. “O senhor prefeito, que deu uma declaração que vai regularizar o Uber, o senhor é doido. Um doente mental se fizer isso, o senhor não sabe com quem está mexendo”.

VEREADOR ADILSON AMADEU MANDA RECADO PARA O DIRETOR DO DTP/SP E PREFEITO HADDAD DURANTE EVENTO NO HOTEL UNIQUE 28/01/2016, ONDE HOUVE DENÚNCIA PREMEDITADA E NADA FOI FEITO PELAS AUTORIDADES PARA COIBIR A ATUAÇÃO DOS CLANDESTINOS.

Publicado por Táxi em São Paulo em Sexta, 29 de janeiro de 2016


Em nota, Amadeu informou que “o vereador desconhece o teor do depoimento” e que “nega veementemente qualquer relação de vantagem com o servidor”. Também citado, Aurélio Miguel “repudia com veemência toda e qualquer afirmação no sentido de que tenha recebido dinheiro de Ronilson Bezerra Rodrigues, de qualquer funcionário da Secretaria de Finanças ou qualquer outro funcionário municipal”. Segundo Barcelos, o vereador teria recebido dinheiro em sua casa.

Outros políticos foram citados pelo delator – o atual presidente da Câmara Municipal, Antônio Donato, e o atual ministro dos Transportes, o ex-vereador Antônio Carlos Rodrigues – também negaram qualquer relação com o esquema ou com ações para barrar uma CPI em 2009, a pedido de Ronilson.

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