NOTÍCIAS

Deputado Eduardo Bolsonaro questiona 'método Alckmin' para taxa de homicídios: 'Iludiu o povo'

29/01/2016 08:27 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução Facebook

Na última terça-feira (26), o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) fez uma aparição incomum para a divulgação do balanço mensal da criminalidade no Estado, evento que só costuma contar com o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. O dado apresentado, de tão histórico, teria sido a motivação do tucano.

O Palácio dos Bandeirantes informou que a taxa de homicídios caiu para 10,06 por 100 mil habitantes em 2014 e para 8,73 em 2015. Segundo a ONU, números acima de 10 configuram uma ‘situação epidêmica’. A maior queda desde o início da série histórica, em 2001, foi celebrada por Alckmin, que saudou os seus comandados:

“Não é obra o acaso. É fruto de muita dedicação”.

Embora Moraes tenha classificado os dados como "100% corretos", a taxa apresentada levantou algumas suspeitas. Não demorou a aparecer quem tivesse a resposta para os dados apresentados por Alckmin e companhia. De acordo com a professora da Universidade Federal do ABC, Camila Nunes Dias, também pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), eles estão errados.

“Acho que o que é flagrantemente um erro. Não diria nem que é um erro, porque há uma intenção. Primeiro, contar os homicídios como casos e não na quantidade de vítimas. Então, as chacinas, principalmente, que tem ocorrido bastante em São Paulo nestes últimos anos, inclusive no ano passado, são contadas como um caso só”, disse, em entrevista à Rede Brasil Atual.

Ao dividir as ocorrências de homicídio no Estado (um total de 3.962, segundo a Secretaria de Segurança Pública), o governo paulista chegou ao 8,73 por cada 100 mil habitantes. Mas não foram computados os 607 mortos pelas polícia Civil e Militar, as 191 mortas por policiais de folga, os 16 policiais mortos em serviço e os 356 latrocínios (roubo seguido de morte).

Feito este cálculo, temos 5.132 casos de homicídio e uma taxa de 11,90 por 100 mil habitantes em São Paulo.

Outro ponto não considerado corretamente pelo governo estadual foi não somar o total de mortos em eventos interligados, como as chacinas. A ponderação foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo e serviu para que Alckmin fosse ‘enquadrado’ pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), policial federal e filho do também deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

“Querer reduzir a taxa de homicídios em seu Estado é a vontade de todo governador. No entanto, fazer isso a qualquer custo, como fez o governo de São Paulo, é iludir o povo”, escreveu o parlamentar.

SÃO PAULO MASCARA TAXA DE HOMICÍDIOS Querer reduzir a taxa de homicídios em seu estado é a vontade de todo...

Publicado por Eduardo Bolsonaro em Quinta, 28 de janeiro de 2016


Não é a primeira vez que os métodos estatísticos do governo Alckmin são questionados. Em novembro do ano passado, reportagem da Folha denunciava que a metodologia alterada em abril daquele ano excluía dados de letalidade policial para derrubar os números totais de homicídios. Posteriormente, o jornal voltou atrás.

“Você tem um objetivo de cunho político, que é criar uma ideia de que as supostas políticas de segurança pública têm dado certo. Quando você organiza os dados de uma forma que apontam sempre um ‘sucesso’, ou seja, redução dos homicídios, redução de outros crimes, você está construindo um discurso de que as políticas que você vem fazendo nesta área estão corretas”, concluiu Camila Nunes Dias.

Por enquanto o governo de SP não se pronunciou sobre os questionamentos.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


LEIA TAMBÉM

- ASSISTA: Lenda do UFC apoia família Bolsonaro e pede fim do Estatuto do Desarmamento

- Máfia das Merenda: Delator cita secretário de Transportes de Alckmin

- 'Faça o que eu falo, esqueça o que eu escrevo', ensina secretário de Alckmin

- 'Alckmin rasgou a Constituição', diz membro da OAB após violência da PM em SP