ENTRETENIMENTO

Joseph Fiennes é escolhido para interpretar Michael Jackson e suscita discussão racial

28/01/2016 09:54 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/AP

O ator britânico Joseph Fiennes foi escolhido para interpretar o icônico popstar afro-americano Michael Jackson numa comédia de TV, provocando escárnio nas redes sociais desde a última quarta-feira (27) e alimentando uma polêmica na indústria de entretenimento sobre oportunidades para artistas negros.

Fiennes, que é branco e conhecido por ter vivido William Shakespeare em Shakespeare Apaixonado (1998), interpretará o “Rei do Pop” numa história aparentemente não ficcional para o canal por assinatura britânico Sky Arts sobre uma viagem pelas estradas dos Estados Unidos que o cantor, diz-se, fez em 2001 com as estrelas do cinema Elizabeth Taylor e Marlon Brando.

O Sky Arts disse num comunicado nesta quarta que a comédia de 30 minutos, chamada Elizabeth, Michael & Marlon, é “parte de uma série de comédias sobre tramas improváveis da história das artes e da cultura. O Sky Arts dá aos produtores a liberdade criativa para escolher o elenco como eles desejam, dentro da estrutura de diversidade que nós estabelecemos.”

Em entrevista ao Entertainment Tonight, Fiennes defendeu a sua escolha para o trabalho. "(Jackson) definitivamente tinha um problema - um problema de pigmentação da pele - e isso é algo em que eu acredito. Ele estava mais perto da minha cor de pele do que a sua cor de pele original", afirmou o ator, que disse entender o 'choque' que a escolha causou nas pessoas.

Jackson, que teve vitiligo, condição médica que clareia a cor da pele, morreu em junho de 2009 aos 50 anos depois de uma overdose de sedativos.

Também ao Entertainment Tonight, um sobrinho de Jackson, TJ Jackson, declarou que a realização de uma série, que se passa em pleno 11 de setembro de 2001, é "ofensiva" para ele e para sua família.

"Como todo mundo, ele estava perturbado, triste e tentando processar o que havia acontecido. Após os eventos de 11 de setembro, meu tio, Michael, permaneceu com a família de um amigo em Nova Jersey por uma semana antes de voar de volta para casa (...). Não houve qualquer viagem com Elizabeth Taylor ou Marlon Brando", comentou, negando-se ainda a falar especificamente sobre a escolha de Fiennes para o papel de seu tio.

Outros resolveram falar em tom crítico nos EUA. Stereo Williams, que escreve sobre entretenimento para o Daily Beast, disse que a escolha de Fiennes era um “sintoma do problema racial profundo de Hollywood”. "Sério que eles não puderam encontrar um ator negro para interpretar Michael Jackson?”, disse via Twitter o ativista dos direitos civis nos Estados Unidos DeRay Mckesson.

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