LGBT
28/01/2016 17:33 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Após lutar por seu nome social, estudante de Farmácia fecha ciclo como a 1ª transexual a se formar na UEPG

Montagem/Reprodução Facebook

Uma das 31 pessoas a se formar na noite desta quinta-feira (28), colando grau no curso de Farmácia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), tem motivos extras para sorrir. Aos 22 anos, Alícia Krüger está fazendo história como a primeira estudante transexual a se formar na instituição de 47 anos de existência.

“Estou muito ansiosa e com um sentimento de vitória. Todos os anos da graduação não foram fáceis. Eu digo isso tanto pela dificuldade das matérias do curso, quanto por todo o preconceito que vivi e posso dizer hoje que venci”, disse Alícia, em entrevista ao Jornal da Manhã. “É um sonho realizado”.

Mesmo jovem, Alícia esteve sempre engajada com as causas afirmativas, em favor da comunidade LGBT da universidade. Uma portaria de 2011, do Ministério da Educação, já garantia a travestis e transexuais o direito de usar o seu nome social nos vestibulares e nos cursos de admissão de professores e funcionários.

Na UEPG isso passou a valer em 2014. A autora do pedido junto ao reitor Carlos Luciano Vargas foi Alícia, que considerou a decisão da direção da universidade uma vitória contra o estigma e o preconceito que transexuais carregam no ambiente acadêmico.

“O desrespeito do uso do nome pelo qual esses indivíduos desejam ser reconhecidos perante a sociedade é um deles. Pessoas travestis e transexuais, por vezes, sentem-se cerceadas do direito básico e constitucional de acesso à educação, por não terem sua identidade de gênero respeitada, sendo chamadas publicamente pelo nome civil que não condiz com sua posição social”, disse ela.

Nesta época a estudante de Farmácia já ocupava um assento no Conselho Superior da UEPG – feito inédito entre todas as universidades brasileiras – e também integrava a Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional de Ponta Grossa. “O preconceito nunca me fez desistir. Ele só me impulsionou a estar onde estou hoje”.

Dar o direito de uma trans ser chamada pelo seu nome social é um ganho de enormes proporções, conforme explica Alícia. “Quando a pessoa travesti ou transexual vê sua identidade de gênero desrespeitada, por ser chamada publicamente por seu nome civil, sua estrutura emocional e psicológica certamente fica abalada, podendo comprometer seu desempenho no concurso que irá prestar”.

Atualmente a estudante vive em Brasília. A sua atuação pela causa a fez assumir o cargo de assessora técnica do Departamento de DSTs, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. E se ela lá chegou, qualquer pessoa pode chegar – até mesmo aquelas que têm a sua capacidade questionada em razão do gênero. “Capacidade não está no gênero. Está no intelecto”, sentenciou.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


LEIA TAMBÉM

- #MinhaPrimeiraTransfobia: Transexuais relatam primeiros casos de preconceito

- ASSISTA: Ellen Page investiga comunidade LGBT ao redor do mundo em série documental

- COI altera regras e 1º atleta transexual fica mais perto das Olimpíadas do Rio

- Defensoria quer liberação da doação de sangue por gays no Brasil em até 30 dias