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Escândalo da Petrobras derruba o Brasil no ranking dos países que mede a percepção da corrupção no mundo (ESTUDO)

27/01/2016 09:44 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Fernando Frazão/Agência Brasil e

A percepção de que o ano de 2015 foi de muita corrupção no Brasil fez o País perder sete posições no relatório sobre o tema, divulgado nesta quarta-feira (27) pela Transparência Internacional (TI). O documento, divulgado anualmente, aponta o escândalo de corrupção da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, como a principal causa da queda.

“Nós testemunhamos duas tendências nas Américas em 2015: a descoberta de grandes redes de corrupção e as mobilizações populares de massas de cidadãos contra a corrupção. Os escândalos da Petrobras e La Línea são o testamento dessas tendências nos dois países que caíram mais: Brasil e Guatemala”, afirmou o diretor da TI para as Américas, Alejandro Salas.

O relatório mundial da TI mede a percepção de corrupção e não os níveis reais devido ao sigilo envolvido nos negócios corruptos. Para o Brasil, isso significou cair para o 76º lugar entre 168 países, recuando sete posições em relação a 2014 – pior resultado desde 2008. O esquema já apurou o envolvimento de executivos, empreiteiras, órgãos públicos, políticos e partidos nos desvios da Petrobras.

“Enquanto a economia está em crise, milhares de brasileiros comuns já perderam os seus empregos. Não foram eles que tomaram as decisões que levaram ao escândalo, mas são eles os que estão vivendo as consequências”, diz o documento. “O desafio agora é combater as causas fundamentais e reduzir a impunidade da corrupção”, complementou Salas.

Segundo a TI, dois terços dos 168 países avaliados tiveram uma classificação abaixo da marca de 50 na escala da TI, na qual 100 representa o melhor nível e zero a maior percepção de corrupção. Pelo segundo ano seguido, a Dinamarca ficou no topo do estudo. Coreia do Norte e a Somália foram os piores casos, com apenas 8 pontos cada.

Além do Brasil, outros países que pioraram de posição no ano passado foram a Líbia, Austrália, Espanha e Turquia, que viu uma das quedas mais agudas em 2014 quando um escândalo de corrupção atingiu o partido governista AK. Para o presidente da TI, José Ugaz, mesmo diante desses dados é possível ter esperança.

“Se trabalharmos juntos, podemos vencer a corrupção. Para acabar com o abuso do poder, o suborno e revelar negociatas, os cidadãos devem se juntar e dizer aos seus governos que já chega. O Índice de Percepção da Corrupção de 2015 mostra claramente que a corrupção continua a ser uma praga em todo o mundo. Mas 2015 foi também um ano em que as pessoas voltaram às ruas para protestar contra a corrupção. Pessoas de todo o mundo enviaram um sinal forte ao poder: chegou a hora de atacar a grande corrupção”.

Além de derrubar o Brasil no levantamento, o escândalo da Petrobras é o segundo mais votado na campanha ‘Desmascare o Corrupto’, cuja votação segue aberta até o dia 10 de fevereiro no site da TI.

(Com Reuters)

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