MULHERES

Números de armas por estado nos EUA têm relação direta com mais mortes de mulheres (ESTUDO)

26/01/2016 11:34 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Raphael Alves/TJAM e Fernando Frazão/Ag. Brasil

País com uma arma de fogo para cada 88 entre 100 habitantes, os Estados Unidos também registram mais mortes de mulheres nos estados em que existem mais armas registradas. É o que aponta um estudo da Universidade de Boston, divulgado neste mês. O levantamento ajuda a desconstruir o mito de que mais armas significam mais segurança.

Os pesquisadores Michael Siegel e Emily Rothman analisaram comparativamente o número de armas de fogo registradas e os dados relativos a assassinatos de homens e mulheres nos 50 estados norte-americanos, entre 1981 e 2013. De acordo com o estudo, há uma forte correlação do feminicídio e a quantidade de armas registradas.

Para apontar que leis mais brandas para a aquisição de armas de fogo podem ter influência na violência doméstica contra mulheres, os pesquisadores levaram em conta dados como idade, raça, região, pobreza, desemprego, educação, índice de divórcio, uso de álcool, e outros fatores relacionados. E as conclusões são alarmantes.

Nos EUA, a maioria das mulheres morre vítima de armas de fogo. De acordo com o estudo, mais armas registradas significam mais homicídios por arma de fogo, e principalmente mais assassinatos por arma de fogo e cometidos por uma pessoa conhecida da vítima. Destas, 93% são mortas por um companheiro, de acordo com a pesquisa.

“Nosso trabalho confirma que a maior disponibilidade de armas de fogo não parece proteger as mulheres de homicídios cometidos por estranhos, mas aumenta o risco de assassinatos cometidos por pessoas conhecidas”, disse Siegel ao site americano Slate.

Em números, o levantamento explica que o combate ao feminicídio nos EUA pode ser feito pela análise do número de armas de fogo registradas estado a estado – nas áreas com mais armamentos, a taxa de morte de mulheres alcança 41% a mais do que nos estados com menos armas de fogo (entre homens, a diferença não ultrapassa 1,5%).

De acordo com reportagem do The Huffington Post em 2014, um terço das mulheres assassinadas nos EUA foram vítimas dos seus companheiros. Desde 2003, mais de 18 mil mulheres foram mortas em incidentes de violência doméstica no país. Tais dados reforçam outra pesquisa, feita pela Universidade de Harvard, em 2002, que ligaram diretamente o número de armas com mais mortes por arma de fogo, especialmente de mulheres.

Mortes violentas no Brasil

No Brasil, dados do Mapa da Violência de 2015, as armas de fogo responderam em 2013 por 48,8% dos assassinatos de mulheres – o índice é maior entre os homens (73,2%). Ainda de acordo com o mesmo levantamento, o feminicídio no País tem maior uso de força física e objetos cortantes/contundentes. Como nos EUA, a violência doméstica é maior contra mulheres e quase sempre é cometida por pessoas conhecidas da vítima.

Já segundo o Datasus, 5.039 mulheres foram vítimas fatais da violência em 2013, sendo que as negras somam mais do que o dobro das brancas. O Mapa da Violência aponta que houve um aumento de 190,9% de violência contra negras entre 2003 e 2013 – só neste ano final da pesquisa morreram 66,7% mais meninas negras do que brancas.

Neste ano, o Congresso Nacional deve analisar a proposta para flexibilizar o Estatuto do Desarmamento no Brasil. A medida está pronta para ir a plenário na Câmara e, se aprovada, segue para o Senado.

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