MULHERES

Shonda Rhimes vence prêmio especial do Sindicato dos Produtores dos EUA

25/01/2016 18:34 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Mark Davis via Getty Images
CENTURY CITY, CA - JANUARY 23: Shonda Rhimes accepts the Norman Lear Achievement Award onstage at the 27th Annual Producers Guild Awards at the Hyatt Regency Century Plaza on January 23, 2016 in Century City, California. (Photo by Mark Davis/WireImage)

"Vou ser totalmente honesta com vocês: eu mereço isto completamente."

Com esta frase, Shonda Rhimes, 46, produtora e roteirista de séries de TV bem-sucedidas, como How to Get Away with Murder, Grey's Anatomy e Scandal, se tornou a primeira mulher a vencer o prêmio Norman Lear, por realização na TV, do Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos (PGA), no último sábado (23).

Criadora de seriados da rede ABC – em exceção de HTGAWM, de Peter Nowalk – e indicada três vezes ao Emmy, Rhimes tem uma carreira que perdura há quase 20 anos e, além disso, é um ícone na TV: tanto pelo sucesso em si quanto por suas protagonistas serem, frequentemente, mulheres negras.

Em discurso arrasador, Rhimes disse: "Contra todas as chances, eu tenho, corajosamente, sido pioneira na arte de escrever sobre negros como se fossem seres humanos".

"Bravamente", continuou, "dei papéis a atores que fossem os melhores. Destemidamente, eu encarei a ABC quando eles concordaram completamente comigo que Olivia Pope [protagonista de Scandal, vivida por Kerry Washington] fosse negra. E levantei minha espada heroicamente e a abaixei de novo quando Paul Lee [presidente da ABC] nunca mais me confrontou por causa de qualquer uma de minhas escolhas para contar histórias".

Rhimes também disse não se vê como precursora por escrever sobre o mundo segundo o ponto de vista dela.

"Mulheres são espertas e fortes. Não são brinquedos sexuais ou donzelas em perigos. Pessoas negras não são audaciosas ou perigosas ou sábias. E, acreditem em mim, na vida real, pessoas negras não são companheiras de ninguém."

A produtora também não deixou de tocar em um dos assuntos mais importantes do momento: a importância de mais diversidade no entretenimento.

Ela disse que, cerca de dez anos atrás, quando ela ainda desenvolvia o projeto de Grey's Anatomy, oferecer suas ideias a emissoras de TV não era necessariamente uma ousadia, pois os executivos pareciam estar à espera de alguém que contasse histórias como ela conta, com minorias em papéis complexos e marcantes.

"Eu criei o conteúdo que eu queria ver e criei o que entendo como normal", disse.

"Então, basicamente, vocês estão me dando um prêmio por eu ser eu mesma, que no caso eu totalmente mereço. Realmente, estou honrada por recebê-lo. O respeito deste prêmio realmente significa o mundo. Só me deixa um pouco triste."

Rhimes explica:

"Primeiro de tudo, mulheres fortes e pessoas negras complexas era algo que [o legendário produtor de TV] Norman [Lear] fazia 40 e tantos anos atrás. Então como chegamos ao ponto de ter de refazer isso novamente? O que estamos esperando? Quer dizer, este salão está cheio de produtores, então provavelmente vocês estão esperando dinheiro".

Viola Davis, protagonista de HTGAWM, entregou o prêmio a Rhimes, no palco.

Prêmio

Anualmente, o Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos indica e premia programas de TV e filmes.

Na categoria de cinema, A Grande Aposta venceu o de melhor filme. A premiação é considerada um dos principais termômetros do Oscar.

Veja a lista de ganhadores aqui.

Também no HuffPost Brasil:

Mulheres Inspiradoras de 2015, segundo o Think Olga

LEIA MAIS:

- Viola Davis: 'Fomos alimentadas com uma enorme quantidade de mentiras sobre mulheres'

- Ofereceram metade do salário de David Duchovny para que Gillian Anderson embarcasse no revival de 'Arquivo-X'

- Lupita Nyong'o: 'O Oscar deve ser um reflexo diversificado do melhor da arte'

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: