NOTÍCIAS
25/01/2016 11:41 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Governo de SP gastou pelo menos R$ 77 milhões em equipamentos contra manifestações após as Jornadas de Junho, diz jornal

Edu Saraiva/A2IMG e Rovena Rosa/Agência Brasil

O Palácio dos Bandeirantes não poupou esforços nos últimos três anos para equipar a Polícia Militar que atua em manifestações. É o que mostra um levantamento do jornal Folha de S. Paulo, publicado nesta segunda-feira (25). Desde as Jornadas de Junho, em 2013, o governo paulista investiu pelo menos R$ 77 milhões no setor.

Apenas em bombas de gás, um dos principais itens utilizados na repressão de atos do Movimento Passe Livre (MPL) neste ano, o Diário Oficial do Estado mostra que a PM aumentou os seus investimentos em 112%, entre 2013 e 2014, passando de R$ 9,9 milhões para R$ 20,9 milhões os gastos com esse tipo de munição.

De acordo com os dados oficiais, 17,5 mil granas de bombas adquiridas pela corporação custaram uma média de R$ 226 cada. No protesto mais recente do MPL, a repressão policial mostrou que uma bomba de gás foi atirada a cada dois segundos por PMs que tentavam pôr fim ao ato, na Praça da República, no centro da capital paulista.

O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) ainda abriu os cofres do Estado para comprar seis blindados de Israel, batizados de Guardiões e que se assemelham aos ‘caveirões’ da PM do Rio de Janeiro, e investiu outros R$ 783 mil para a aquisição de 180 exoesqueletos pretos – usados pela chamada ‘tropa robocop’ da polícia.

A notícia dos altos gastos com equipamentos de segurança vem em um ano em que o governo Alckmin já anunciou o congelamento e cancelamento de contratos do metrô e a contenção de outros gastos, medidas essas tomadas diante do atual de crise econômica pela qual atravessa o País.

Nem black blocs, nem PMs punidos após três anos

Foram muitos os episódios de violência e vandalismo durante as Jornadas de Junho. Todavia, nenhuma pessoa, sejam black blocs ou policiais militares, foi punida. No caso da investigação em torno dos ‘mascarados’, mais de 300 pessoas foram ouvidas, mas a Polícia Civil não conseguiu “individualizar as condutas criminosas”, segundo a Folha.

O jornal aponta ainda que os investigadores não conseguiram estabelecer conexão entre os black blocs e o MPL, mas concluíram que a maioria dos mascarados detidos ao longo de 2013 não tinha formação política ou ideológica, participando de atos de vandalismo apenas como uma espécie de ‘efeito manada’, como nas brigas de torcidas de futebol.

Assim como já havia informado a BBC Brasil, nenhum PM foi punido por conta dos abusos cometidos nas Jornadas de Junho – mais de uma pessoa perdeu a visão por conta de balas de borracha e jornalistas foram violentamente agredidos em vários dos atos. O Palácio dos Bandeirantes informou que 18 inquéritos foram abertos pela Corregedoria da PM, com 12 arquivamentos, quatro ainda em análise pelo Ministério Público (MP-SP), e outros dois ainda não concluídos.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


LEIA TAMBÉM

- Com subsídio maior, tarifa de transporte em SP poderia chegar a R$ 1,27, diz ex-secretário

- Após comparar tarifa zero com Disney, Haddad agora admite conversar com MPL

- Cartunista Robert Crumb cede desenhos para protestos do Movimento Passe Livre

- O tamanho da perda eleitoral de Haddad com aumento da tarifa em SP