ENTRETENIMENTO

#OscarStillSoWhite: Academia anuncia medidas para ser mais inclusiva

22/01/2016 20:48 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Richard Shotwell/Invision/AP
Academy of Motion Picture Arts and Sciences President Cheryl Boone Isaacs arrives at the 52nd Annual ICG Publicists Awards on Friday, Feb. 20, 2015, in Beverly Hills, Calif. (Photo by Richard Shotwell/Invision/AP)

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável por selecionar e premiar os indicados ao Oscar, explicou nesta sexta-feira (22) quais e como são as tais "medidas dramáticas" que tomaria para ser mais inclusiva em seu corpo de membros.

As medidas atingem vários setores da Academia: os membros, o corpo de diretores e membros votantes. A intenção é dobrar o número de minorias nestas áreas até 2020.

A partir do fim deste ano, todos os novos membros votantes permanecerão nessa posição por dez anos. Se o integrante da Academia estiver ativo na indústria durante esse período, ou tiver sido indicado ou vencido um Oscar, continuará na posição.

Caso contrário, continuará a ser membro da Academia, mas sem o direito ao voto. As normas também serão aplicadas ao membros atuais.

O crítico de cinema Pablo Villaça soube resumir bem a ideia:

Antes da nova medida, a posição de membro votante era vitalícia. Indicados e vencedores, e membros há mais de três décadas, terão direito ao voto vitalício.

Além disso, os membros terão mais apoio da Academia para fazerem a tradicional campanha por possíveis novos membros que representam a diversidade e sejam qualificados para o posto.

Outras medidas anunciadas são: criar três novas cadeiras de presidência, que serão escolhidas pelo presidente em um período de três anos e confirmadas pelo conselho, e dar oportunidade aos novos membros de participarem das decisões cruciais da Academia, em que são escolhidos membros e presidentes, por exemplo.

Não foi anunciada a quantidade de membros atuais que representem minorias em representatividade.

No comunicado oficial, Cheryl Boones Isaacs, presidente da instituição – que, diga-se de passagem, é negra –, disse que a Academia "vai liderar [o movimento] e não esperar que a indústria a acompanhe".

Isaacs diz que as medidas terão "impacto imediato" e iniciarão um "processo de mudança" interno significativo.

O "pacote de medidas" da Academia foi aprovado em unanimidade na última quinta-feira (21) pelo conselho dos 51 presidentes.

Isaacs anunciou na última terça (19) que haveria uma iniciativa inclusiva da instituição.

Vergonha

A cineasta Ava DuVernay (Selma) comentou as novidades:

"A vergonha é uma grande motivadora."

"Artistas marginalizados tem advogado por mudanças na Academia há DÉCADAS. Campanhas de verdade. Pedidos feitos DO PALCO. Ouvidos surdos. Mentes fechadas."

"Mesmo que haja vergonha, sentimentos verdadeiros ou forte resistência, apenas faça [o que tem de ser feito]. Porque a alternativa não é bonita."

A cerimônia da 88ª edição do Oscar acontece no dia 28 de fevereiro.

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