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Diretor da Anistia Internacional condena repressão policial em mais um ato do MPL em SP

22/01/2016 08:52 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução Facebook

O diretor executivo da Anistia Internacional, Atila Roque, condenou a repressão da Polícia Militar (PM) no 5º Ato Contra o Aumento da Tarifa, realizado nesta quinta-feira (21) em São Paulo. O ato, organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL), seguiu pacífico durante todo o trajeto, mas acabou reprimido pela PM, que não aceitou o trajeto decidido pelos manifestantes.

“A policia cercou o ato e atacou os manifestantes, como assistimos na transmissão da imprensa e das mídias ativistas. A repressão violenta e a interrupção de protestos pacíficos violam a Constituição”, disse Roque, em postagem na página da Anistia. “É lamentável que, ao invés de promover um debate político sobre a questão do transporte público, pauta das manifestações, o Estado responda à juventude com tiros e bombas, afrontando o direito à democracia e ao protesto”.

ESTADO BOMBARDEIA CONSTITUIÇÃO COM REPRESSÃO VIOLENTA A PROTESTO EM SÃO PAULOHoje, no 5o Ato contra o aumento da...

Publicado por Anistia Internacional Brasil em Quinta, 21 de janeiro de 2016


O clima de tensão acompanhou toda a manifestação, como ocorreu nos quatro atos anteriores. Como visto no último dia 12 de janeiro, na Avenida Paulista, a PM não concordou com o percurso definido pelos manifestantes e, ao tentarem avançar, eles foram reprimidos com bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo, e balas de borracha.

Em um vídeo, publicado pelo Coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR), é possível ver que a PM lançou uma bomba a cada dois segundos – um total de 30 em 15 segundos de filmagem.

VEJA O MOMENTO EM QUE A PM REPRIME O ATO #ContraTarifa. São mais de 15 bombas em 30 segundos contra manifestantes pací...

Publicado por Coletivo Desentorpecendo A Razão em Quinta, 21 de janeiro de 2016


COM VIOLÊNCIAVejam o momento que a Polícia Militar reprime a continuação do ato contra a tarifa na praça da Republica.Vídeo: Fernando DK/Democratize

Publicado por Democratize em Quinta, 21 de janeiro de 2016


O início do protesto aconteceu no Terminal Parque Dom Pedro, que foi fechado 10 minutos antes, prejudicando parte da população que tentava embarcar para se deslocar pela cidade. O MPL divulgou o trajeto horas antes, cujo destino final seria a Assembleia Legislativa (Alesp), no Ibirapuera, mas o tenente-coronel Henrique Motta, responsável pela operação da PM, não concordou. Assim, a PM determinou que o ato terminasse na Praça da República, no centro da capital.

‘Envelopados’ pelos ‘robocops’ da PM, os manifestantes seguiram pacificamente, sem registros de violência ou vandalismo. Todavia, ao chegar nos arredores do Praça da República a tensão subiu, com a determinação dos policiais para o fim do ato. A negativa dos manifestantes em dispersar, tentando avançar sobre o cordão de isolamento com as mãos para o alto, aos gritos de “sem violência”, deu início à repressão.

De acordo com o MPL, nove pessoas foram presas. O número de feridos não foi confirmado, embora tenham sido vários – incluindo jornalistas. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o fotógrafo da Folha de S. Paulo, Avener Prado, foi atingido por uma bala de borracha na coxa. Já o jornalista Juliano Vieira, da TV Drone, foi atingido por uma bomba na perna esquerda. “Está ardendo muito”, reclamou.

Jornalista e fotógrafo da TVDrone, Juliano, gravemente ferido após a polícia militar atirar uma bomba de efeito moral...

Publicado por Democratize em Quinta, 21 de janeiro de 2016


ATUAÇÃO BRUTAL DO CHOQUE NO ATO DE HOJE

Publicado por território livre em Quinta, 21 de janeiro de 2016


Um outro rapaz, que teria sido atingido por uma bala de borracha no rosto, ficou desacordado. "A quem interessa toda essa violência por parte do estado? Até onde será permitido este comportamento abusivo?", protestou o MPL, em sua página no Facebook.

:: REPRESSÃO AO ATO CONTRA O AUMENTO DA TARIFAO ataque brutal contra a manifestação pacífica, promovido pela polícia...

Publicado por Passe Livre São Paulo em Quinta, 21 de janeiro de 2016


MANIFESTANTE FERIDO PELA PM COM TIRO DE BALA DE BORRACHA NA CARA RECEBE PRIMEIROS SOCORRO EM ATO #ContraTarifaCom...

Publicado por Coletivo Desentorpecendo A Razão em Quinta, 21 de janeiro de 2016


No arredores do Largo do Arouche, manifestantes foram perseguidos por policiais. Misturados em meio ao protesto – e não na linha de frente, como nos atos anteriores –, black blocs destruíram uma agencia bancária na Avenida Doutor Vieira de Carvalho.

“Isso não existe. E o ato não iria parar na Praça da República. Agora, vamos avaliar se vamos ou não divulgar o trajeto na semana que vem”, disse uma militante do MPL.

Secretaria fala em ‘violação da Constituição’

Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) afirmou que “o MPL mais uma vez afrontou a Constituição ao não informar com a antecedência necessária o trajeto de sua manifestação”, completando que a informação, “publicada nas redes sociais menos de duas horas antes do início do ato”, prejudica o direito de ir e vir de outras pessoas.

PM age para compatibilizar direito de manifestações em SPA Polícia Militar de São Paulo mobilizou mais uma vez um...

Publicado por Segurança Pública SP em Quinta, 21 de janeiro de 2016


De acordo com o relato da SSP, a tentativa do MPL em ‘romper com o acordo’ de dispersar a manifestação levou a uma reação da PM. “Ao chegar ao local (Praça da República), no entanto, os manifestantes tentaram mais uma vez furar o bloqueio para chegar à Avenida 23 de maio. A PM então dispersou o ato. Foi necessário uso de munição química e tiros de elastômero (bala de borracha)”.

A secretaria informou ainda que oito pessoas foram detidas antes do início do protesto, já que “tentavam depredar a Estação Liberdade do Metrô”.

(Com Estadão Conteúdo)

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