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Líder de religiões de matriz africana pede mais tolerância religiosa em 2016 (VÍDEO)

21/01/2016 11:26 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Dia da Intolerância Religiosa

Hoje é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Brasil, infelizmente, amarga números negativos. Até o primeiro semestre de 2015, o Disque 100, do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, Juventude e dos Direitos Humanos, registrou 581 denúncias de intolerância religiosa. Figuraram na lista dos Estados de maior incidência deste tipo de crime, o Distrito Federal, por três anos e ainda a Paraíba e o Rio de Janeiro. Acompanhe o depoimento de Mãe Baiana, coordenadora das Comunidades de Matriz Africana da Fundação Cultural Palmares. #CulturaContraIntolerância

Publicado por Ministério da Cultura em Quinta, 21 de janeiro de 2016

Comemora-se nesta quinta-feira (21) o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Garantida pela Constituição Federal de 1988, a laicidade do Estado brasileiro, porém, não impede que todas as religiões sejam aceitas igualmente, sem distinção e preconceito. Por isso, em 2016, o que mais se pede é maior tolerância entre os diferentes credos.

“O ódio é o ódio. Eu não sou obrigada a seguir a religião que não é a minha. Ponto final. Nós somos um povo que não atacamos o católico, não atacamos o evangélico, não atacamos o budista. Pelo contrário”, afirma Mãe Baiana, coordenadora das Comunidades de Matriz Africana da Fundação Cultural Palmares, no Distrito Federal.

De intolerância religiosa ela entende. Um terreiro de candomblé no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, no Paranoá (DF), foi incendiado em novembro do ano passado. Foi o quinto ataque registrado no Distrito Federal nos últimos anos, sendo o terceiro com o uso do fogo.

As religiões de matriz africana lideram a lista de denúncias por intolerância religiosa, de acordo com dados do Disque 100, telefone de denúncias do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, Juventude e dos Direitos Humanos. Até o primeiro semestre de 2015 foram 581 denúncias, com maior preponderância de ataques no DF, Rio de Janeiro e Paraíba.

Só no Rio, dados do Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir) apontam que 948 queixas de intolerância religiosa foram feitas, entre julho de 2012 e dezembro de 2014. Destas, 71% diziam respeito a ataques contra religiões afro-brasileiras.

“Nós somos aqueles religiosos que ninguém nunca ouve falar que a gente foi na porta de uma igreja jogar arruda, jogar sal grosso. Nunca o povo ouviu dizer que alguém de terreiro de umbanda ou candomblé saiu da sua casa para ir atacar alguém na porta da sua igreja. Não fazemos isso porque entendemos que cada um segue aquilo que quer”, avalia Mãe Baiana.

Ainda de acordo com ela, para vencer o preconceito e a violência é preciso lutar, como sempre. “Que Oxalá cubra os terreiros e que essas pessoas que têm a mente ruim, que elas coloquem a cabeça no travesseiro e prestem bem a atenção, se é certo o que estão fazendo”, completa.

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