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Artista feminista explica obsessão mórbida com assassinos em série

21/01/2016 19:45 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
BRIAN FORREST

Alerta: Este post não é para os mais sensíveis.

assassinos

MAGGIE DUNLAP


A é de Albert DeSalvo, também conhecido como o "Estrangulador de Boston". Ele assassinou 13 mulheres na região de Boston. B é de BTK, ou "Bind, Torture, Kill" (“Amarrar, Torturar e Matar) como ele ficou conhecido. C é de Andrei Chikatilo, o "Açougueiro de Rostov" ou "Estripador Vermelho" que confessou 56 assassinatos de mulheres e crianças.

Bem-vindo ao "Alfabeto de Assassinos em Série" onde cada letra nos apresenta uma nova história de violência e horror. Prepare-se para mergulhar em 26 aterradoras histórias e nunca mais conseguir voltar a dormir.

Os seus sonhos serão perseguidos por cortesia de Maggie Dunlap, artista residente de New York, que desenha os assassinos selecionados por ela com delicada intensidade. Os desenhos simples a lápis, arrepiantes por sua particular limpeza, parecem tirados de um diário com lembranças de paqueras, conhecidos e amigos esquecidos.

"Eu gosto bastante de ficar brincando com a dureza e a suavidade, com o bonito e o feio", explicou Dunlap ao The Huffington Post. "Eu acho que a emoção mais poderosa é aquela que oscila no limite entre a repulsão e a intriga."

"No último ano da minha aula de desenho recebemos a tarefa de criar qualquer espécie de alfabeto de nossa preferência", continuou a artista. "Infelizmente, existe uma enorme quantidade de assassinos em série – definitivamente mais do que 26. Eu sempre tive uma imensa curiosidade em assassinos e também no crime e gastava inúmeras horas ouvindo podcasts e documentários sobre o tema enquanto trabalhava. Foi apenas uma questão de tempo antes que a ideia tivesse se transformado em minha arte".

Tirando a sua fase de Assassinos em Série, grande parte do trabalho de Dunlap combina artesanato tradicionalmente femininos e política feminista radical. Ela ilustra o segmento de sexualidade e relacionamento do site Ask a Porn Star ("pergunte a uma estrela pornô") do blog de Slutever e criou ilustrações sanguinolentas para o livro The Bloody Chamber, de Angela Carter. Seu bordado adornado com algemas, sua tecelagem entrelaçada entre algemas e cabelo. Boa parte de seu trabalho parece uma festa de pijama onde garotos não entram e que acabou de forma sinistra.

algemas

MAGGIE DUNLAP


Acessórios de amarrar e calcinhas ensanguentadas são uma coisa, mas mergulhar dentro das mentes doentias dos criminosos mais violentos da história é outra bem diferente. Dunlap está bem ciente dos complexos fatores que contribuem para tais compulsões aterradoras. "Minha obsessão mórbida é com certeza algo que eu tenho que reconciliar comigo mesma e desfazer em relação a ser feminista", disse ela. "Os dois têm sido partes fundamentais do meu trabalho e da minha vida desde que eu me lembro por gente".

"Obviamente a minha fascinação com o crime e os assassinos não se iguala a nenhum tipo de admiração", continou Dunlap. "A sociedade ocidental está tão obcecada pela morte e simultaneamente removida dela. Histórias de assassinos em série apelam à curiosidade das pessoas pelo que é mais obscuro, é próprio da natureza humana. Se não fosse tão relevante, não existiram tantos programas na TV como o Dateline, Law & Order: SVU ou CSI.

Parece que estamos entrando em contato com uma espécie de perigo que está suficientemente desconectado de nossas vidas diárias – como quando assistimos a um filme de horror. Exceto que esses vilões são reais, fazendo com que suas histórias sejam ainda mais assustadoras".

Dunlap está longe de ser a primeira artista cujo trabalho escrutinou as mentes dos piores criminais. O livro Pay for Your Pleasure ("pague pelo seu prazer", em português) do Mike Kelley é um dos que vem à mente; uma instalação de 1988 toma a forma de um estreito corredor feito de painéis coloridos, em que cada um retrata um renomado pensador com uma citação que conecta a arte ao crime. (A frase de Piet Mondrian "Acho que o elemento destrutivo é bem negligenciado na arte" é uma delas.)

No final do corredor fica a obra de arte feita por um criminoso perigoso; no caso, o assassino em série palhaço John Wayne Gacy.

arte

FOTO: BRIAN FORREST, COURTESIA DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA, LOS ANGELES E MIKE KELLEY FOUNDATION FOR THE ARTS


A obra de virar o estômago ridiculiza a noção romântica da arte como forma de purificação da alma para a expressão individual. "Quase que comicamente, a arte no contexto de aprisionamento é promovida como sublimação útil -- como 'terapia", escreveu Kelley.

Em vez disso, Kelley vê os papeis de um criminoso e de um artista como se estivessem conectados de forma bem próxima – as duas exploram os aspectos mais obscuros da natureza humana e convidam o público a dar uma olhada neles. Nas palavras de Kelley:

"Nós não estamos interessados nos pincéis de Gacy ou nas imagens. Nós estamos interessados no homem por trás disso tudo, esse ser capaz de incríveis atrocidades. As pinturas nos permitem encarar com segurança o proibido".

Outro artista que segue essa mesma linha é o pintor Joe Coleman que conseguiu, como Dunlap, criar retratos de Ed Gein e Charles Manson. Os extremamente detalhados retratos, feitos com um pincel especial mergulham nos detalhes sujos que transformam os indivíduos de Coleman nos ícones monstros nos quais eles se tornaram.

For Coleman, essas figuras sombrias têm um papel crucial na sociedade contemporânea; eles são figuras de fascinação mórbida, sendo ao mesmo tempo repulsivas e magnéticas. "Eu não estou tentando soltar qualquer um deles ou atenuar a atrocidade", disse Coleman em uma entrevista como o The Huffington Post. "O que eu estou tentando fazer é exorcizar a dor, o horror e o sofrimento". Embora as vítimas do sofrimento violento, os perpetradores, enfatizem que Coleman claramente também enfrenta demônios. O seu trabalho investiga e espera aliviar a sua dor.

Para Dunlap, como jovem mulher, existe uma camada adicional de intriga atormentadora. "Eu falava com Alissa Bennet, uma amiga, recentemente", disse Dunlap "e ela disse que acredita que as mulheres são particularmente atraídas por assassinos em série, mortes misteriosas, sanguinolência, etc. porque é o único lugar que nós somos capazes de acessar a violência, através deste tipo de canal remoto, desconectado de nossos corpos".

serial killers

MAGGIE DUNLAP


De fato, para as mulheres que já vivenciaram ou têm medo de serem vítimas, alvos, e presa, a violência fica profundamente marcada na psique feminina. "Ser mulher pode ser (e, infelizmente, geralmente é) uma experiência violenta," explicou Dunlap. "Desde agressões diárias como cantadas e outras opressões sistemáticas, até o fato de que a violência física e sexual são algo que pode ocorrer em qualquer esquina, surgindo de qualquer lugar. A juventude está intimamente relacionada à violência e faz perfeito sentido para mim que muitas mulheres tenham sede de vingança".

E embora as mulheres possam ser as que mais estejam grudadas na televisão, fascinadas pelo horror que se desenrola na tela, elas raramente são as que cometem esses atos. "Quando você os vê juntos, você começa a entender – a maioria deles são brancos, privilegiados e homens", disse Dunlap.

Os desenhos a lápis de Dunlap são simples, sem adornos, quase doces. Não vemos armas, nem sangue -- se você não tem familiaridade com esses nomes lendários, pode ser que você não considere seus rostos tão ameaçadores. Mas escreva o nome deles no seu buscador e verá histórias de corpos mutilados e vidas mortas que invadem a sua imaginação. A violência que é omitida da página prolifera selvagemente na mente.

"Você não consegue desenhar aos assassinos em série sem imaginar os seus crimes e a destruição que eles deixaram no caminho", explica Dunlap. "Dessa mesma forma você não consegue representar coisas como ossos, dentes, cabelo e até parafernália BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) - como eu frequentemente faço com minha arte - sem pensar sobre a conexão com o corpo humano. Esses são temas universais que qualquer um consegue se identificar porque nós todos temos corpos com ‘data de validade’ e todos estamos interessados no macabro até certo ponto".

  • Maggie Dunlap
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(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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