ENTRETENIMENTO

Ana Paula, do BBB, disse que 'o mundo deveria ser machista'. Discordamos.

21/01/2016 15:08 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
GShow/Reprodução

Depois de um episódio que levantou debate sobre o racismo no Brasil, o BBB16 foi palco de uma discussão sobre outro tema caro à sociedade brasileira: igualdade de gêneros.

Na manhã desta quinta-feira (21), na cozinha do programa, Renan fez a seguinte afirmação durante uma conversa: “É tão bom quando a mulher leva café da manhã na cama”.

A participante Ana Paula, de 34 anos, disse que achava ótimo quando a mulher faz algo nesse sentido. E declarou:

"Eu era muito feminista. Mas acho que o mundo tem que ser machista. Acho que a mulher pode levar o café da manhã na cama, e o homem fazer seu papel de provedor. A mulher está muito pra frente e os homens estão ficando cada vez mais bobos. Não estou atrás de direitos iguais. De jeito nenhum."

Outra participante, Harumi, de 64 anos, opinou: "Somos diferentes, mas acho que temos que ter direitos iguais sim". "Mas cada um no seu quadrado", respondeu Ana Paula.

Essas declarações repercutiram negativamente na internet:

A fala da participante gerou incômodo nas redes sociais justamente por desconsiderar o ponto-chave do termo feminismo, que é busca por direitos iguais no âmbito político e social de ambos os sexos.

No sentido oposto, o machismo prega a superioridade do sexo masculino.

Há séculos, tal ideia tira das mulheres condições de uma vida plena e justa, seja no mercado de trabalho, nas relações amorosas, na formação de famílias, entre tantos outros cenários do cotidiano.

É uma visão de mundo, imposta pela sociedade patriarcal, que oprime também os homens, ao projetar neles a figura de um ser humano sempre forte e - como citado na casa - provedor. Nessa lógica, o homem não tem direito de expressar fraquezas ou sentimentos.

O machismo interfere diretamente na vida da mulher. E como a considera uma figura inferior, essa interferência nunca é positiva.

O fato de o salário médio de uma mulher brasileira com educação superior ser 62% do de um homem com a mesma escolaridade diz algumas coisa? Sim. Diz muita. Quem disse que ela não merece ganhar o mesmo valor?

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada três mulheres é vítima de violência no mundo. E esta violência, de tão latente, chega a ser classificada entre: física, sexual, moral e psicológica.

Em um país em que 66% dos homens afirmam que já praticaram violência contra a parceira não há justificativa para reforçar um comportamento que DEVERIA ser inaceitável, mas AINDA é enraizado e banalizado em sociedade.

Colocando essas questões em perspectiva, será mesmo que o mundo deveria ser (ou continuar sendo) machista?

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