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'Preto no meu prédio, não!': A briga por saco de lixo que virou injúria racial e caso de polícia no Rio de Janeiro

20/01/2016 15:12 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução YouTube

Uma briga entre vizinhas terminou na delegacia neste início do ano, no bairro de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. O que começou como uma discussão por sacos de lixo descambou para agressões físicas e verbais, incluindo uma acusação de racismo por parte de uma das mulheres envolvidas na briga.

De acordo com informações do jornal Extra, Cláudia da Silva Chaves, de 47 anos, prestou queixa contra Clarice Barbosa Petereit, de 61, a quem acusou de tê-la atacado com um facão e proferido ofensas racistas. Ambas moram no mesmo prédio e já possuiriam diferenças anteriores. Segundo Cláudia, ela não esperava por esse desfecho.

Em depoimento à polícia, Cláudia afirmou que a vizinha, apesar de morar no apartamento de baixo, sempre subia um andar para deixar sacos de lixo em sua porta. “Pela primeira vez eu devolvi na porta dela, porque até então eu sempre coloquei na lixeira”, afirmou ela, em entrevista ao programa Cidade Alerta, da Rede Record.

A atitude teria irritado Clarice e as duas começaram a discutir. Em seguida, a vizinha de 61 anos teria ido ao seu apartamento e voltado para confrontar Cláudia, desta vez com um facão em mãos. “Ela queria dar uma facada no meu pescoço, na realidade. Eu que coloquei a mão pra me defender e deu no que deu”, afirmou.

Os ferimentos obrigaram Cláudia a passar por duas cirurgias para reparar lesões nos tendões da mão atingida pelo facão da vizinha. Ainda de acordo com ela, a agressora teria proferido ofensas racistas enquanto a agredia fisicamente.

“Quando ela veio com a faca, ela disse isso: ‘preto no meu prédio, não!’. Mas ela já tinha destratado outras pessoas. Uma vez eu vi, logo que me mudei pra cá, era um rapaz que entrega água há anos, desde que eu moro aqui em Ipanema. Ela chamou ele de 'macaco' pela janela, e nem sabia que eu morava aqui em cima dela e que eu era negra”, comentou Cláudia.

Uma amiga da agredida também ficou ferida. De acordo com a delegada que investiga o caso, a mulher acusada das agressões também prestou depoimento e disse ter sido ofendida por Cláudia, que junto com a amiga teriam invadido o seu apartamento com uma arma – as duas foram desarmadas porque, segundo Clarice, ela tem conhecimentos de artes marciais.

Todas as envolvidas passaram por exames de corpo delito e a investigação vai tentar reconstituir o que de fato ocorreu naquele 1º de janeiro. “Instaurei o inquérito e temos que ouvir as testemunhas. Será preciso apurar se houve injúria racial. É prematuro fazer qualquer juízo de valor, explicou a delegada Monique Vidal, titular da 14ª DP, ao jornal Extra.

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