ENTRETENIMENTO

#OscarStillSoWhite: Academia promete 'medidas dramáticas' para ser mais diversificada

19/01/2016 22:28 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Tonya Wise/Invision/AP
Cheryl Boone Isaacs attends 87th Academy Awards - Foreign Language Nominees Certificate of Nomination presentation at the Future Home of the Academy Museum of Motion Pictures on Friday, Feb. 20, 2015 in Los Angeles, California. (Photo by Tonya Wise/Invision for AP Images)

Depois de uma enxurrada de críticas e uma campanha de boicote, parece que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela seleção de indicados e ganhadores do Oscar, finalmente decidiu tomar uma atitude a respeito de suas indicações dominadas por homens brancos.

Em comunicado oficial divulgado nesta terça-feira (19), Cheryl Boone Isaacs, presidente da Academia, disse estar tanto "desolada" quanto "frustrada" com "a falta de inclusão" entre os indicados deste ano, e também anunciou "medidas dramáticas" para mudar isso.

Pelo segundo ano consecutivo, os indicados aos principais prêmios não incluem representantes de minorias, como mulheres, negros e LGBT.

Aqui está o comunicado:


"Eu gostaria de reconhecer o trabalho maravilhoso dos indicados deste ano. Enquanto celebramos suas realizações extraordinárias, estou tanto desolada quanto frustrada com a falta de inclusão. Esta conversa é difícil, mas importante, e é hora de grandes mudanças. A Academia está tomando medidas dramáticas para alterar a composição de nossos membros. Nos próximos dias e semanas, vamos conduzir uma revisão do recrutamento de nossos membros para trazer a tão necessária diversidade em nossa formação de 2016.

Como muitos de vocês sabem, implementamos mudanças para diversificar nosso corpo de membros nos últimos quatro anos. Mas a mudança não está vindo tão rápida quanto gostaríamos. Precisamos fazer mais, melhor e mais rápido.

Isto não é sem precedentes para a Academia. Nas décadas de 1960 e 1970, foram recrutados membros mais jovens para continuarmos vitais e relevantes. Em 2016, a demanda é de inclusão em todas suas facetas: gênero, raça, etnia e orientação sexual. Nós reconhecemos as preocupações reais de nossa comunidade, e eu também agradeço a todos vocês que entraram em contato comigo em nossa tarefa de seguirmos em frente juntos."

Antes tarde do que nunca.

Boicote e decepção

O diretor Spike Lee, uma das vozes negras mais fortes do cinema atual, anunciou que boicotará a premiação, embora tenha ganho um Oscar honorário em 2015.

Jada Pinkett Smith, atriz negra, também não aparecerá na cerimônia. "Não está na hora do povo negro reconhecer quanto poder e influência têm acumulado, que nós não precisamos ser convidados para estar em qualquer lugar?", perguntou.

Além deles, George Clooney também demonstrou insatisfação com a situação. "Há 10 anos, a Academia fazia um trabalho melhor", disse o ator.

O documentarista Michael Moore também aderiu ao boicote.

O rapper Snoop Dogg fez um vídeo em que expressa sua indignação. "Foda-se o Oscar", disse no Instagram.

Até o prefeito de Los Angeles, a "meca" do cinema norte-americano", também endossa as críticas. "A Academia precisa se atualizar", disse Eric Garcetti.

Ainda resta alguma dúvida disso?

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